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domingo, 5 de dezembro de 2010

AI (47)

ANO LXVIII - Domingo, 05 de dezembro de 2010 - Nº 3397

"Porém ele desprezou o conselho que os anciãos lhe tinham dado e tomou conselho com os jovens que haviam crescido com ele e lhe serviam" I Reis 12.8

OBS: Este artigo foi reclassificado em outra série e encontra-se publicado como MAUS CONSELHOS (03).

domingo, 21 de novembro de 2010

AI (46)

ANO LXVIII - Domingo, 21 de novembro de 2010 - Nº 3395

"Ainda conservas a tua integridade? Amaldiçoa a Deus, e morre" (Jó 2.9)

OBS: Este artigo foi reclassificado em outra série e encontra-se publicado como MAUS CONSELHOS (02).

domingo, 31 de outubro de 2010

AI (45)

ANO LXVIII - Domingo, 31 de outubro de 2010 - Nº 3392

"Ai! Ai! Tu, grande cidade...Ai! ai! da grande cidade... Ai! ai! da grande cidade"
( Ap.18: 10, 16, 19).

No mundo antigo também existiam grandes cidades, ou cidades grandes. Tinham população volumosa, contando centenas de milhares de habitantes. Pode não parecer muito hoje, mas se pensarmos em dois, três, quatro mil anos passados, então faz sentido o título de "grande cidade".

João, ao registrar esses "ais", refere-se à cidade de Babilônia. No entanto, não se trata da Babilônia dos caldeus, mas do que ela simbolizava e simboliza. Babilônia, no Apocalipse, é uma figura usada para Roma em seu esplendor, mas, também, em sua luxúria inebriante, corrupção e desprezo por Deus, embora mantivesse sua religiosidade e cultuasse seus muitos deuses.

Por sua vez, Roma é, também, emblemática, ou um paradigma e exemplo de afronta a Deus e Seus mandamentos. Tipifica toda a ação sistematizada e organizada de resistência e rejeição às determinações de Deus, preconizando e desenvolvendo toda forma de distanciamento dos padrões dados por Deus em Sua Palavra. É o "retrato" do próprio mundo, enquanto sistema corrupto e corruptor, contra o qual a Igreja de Cristo se posiciona. Esta Babilônia, ou Roma, nada mais é que a figura da estrutura e sistema que animaliza, desumaniza e bestializa o ser humano. Os textos nos falam de comércio que envolve até as almas, seja tal palavra tomada no sentido de vidas ou espíritos (v.13). É a escravidão do ser em toda sua plenitude.

Em meio a este conceito, vemos que tal "grande cidade", será derrubada de sua arrogância e grandeza. Sua ruína será total. Sua destruição será muito rápida e breve, deixando ver o poder daquEle que é infinitamente maior do que esta grande cidade, ou seja, desse mundo corruptor. Muitos dirão "ai, ai", lamentando que o juízo venha sobre ela. Mas, os santos , ao contrário, exultarão e exclamarão: "Aleleuia! O reino do mundo se tornou de nosso Senhor e de seu Cristo, e ele reinará pelos séculos dos séculos". (Ap.11:15). A "Grande Cidade" (mundo) passará. A gloriosa cidade virá (Jerusalém celestial). Em qual delas você estará?

Rev. Paulo Audebert Delage

domingo, 24 de outubro de 2010

AI (44)

ANO LXVIII - Domingo, 24 de outubro de 2010 - Nº 3391

"Se anuncio o evangelho, não tenho de que me gloriar, pois sobre mim pesa essa obrigação; porque ai de mim se não pregar o evangelho!" (I Coríntios, 6:19)

É razoável que pessoas indaguem sobre o fato de Paulo pregar o evangelho por obrigação (compulsoriamente), pensando que ele não o fazia por boa vontade ou alegria. Trata-se, na verdade, de percepoção de dever-privilégio e não mera tarefa obrigatória. Ao compreender o fato de que sua salvação não poderia ficar retida nele, mas necessitava ser partilhada à medida que via outros tantos sem esperança e sem redenção, dava lugar à compulsão-obrigação de falar-lhes do evangelho de Cristo.

Nesse sentido é que ouvimos Paulo expressar sua íntima aflição: "ai de mim se não pregar o evangelho". Não é "ai de vocês", mas "ai de mim". Essa é também sua experiência? Esse é também seu pensamento? Se você não prega (vive-testemunha) o evangelho há essa sensação de angústia e aflição em seu coração? Não? Que lamentável.

Mas, qual o sentido desse "ai"? Teria Paulo medo de alguma forma de condenação iracunda manifesta pelo Senhor contra ele?

Primeiramente é possível que houvesse, não esse tipo de medo, mas, temor devido por chegar diante de seu Senhor sem o cumprimento de sua tarefa e "obrigação". O constrangimento, o embaraço e a vergonha o levariam a corar de vergonha e, sem dúvida, o sentimento seria de "ai de mim". Ouvir a expressão "servo negligente" é sempre embaraçoso e constrangedor e nos leva à situação de dizermos: "ai de mim, miserável que sou".

Pode-se também entender que Paulo não pense em ações de Deus em cobrá-lo, mas que seja algo ligado ao seu próprio senso de compromisso. Desse modo, trata-se de algo de sua própria consciência e percepção de dever. Não é ação de fora, mas de dentro. Ver-se como alguém negligente e faltoso em realizar o que dele se espera, é motivo para dizer "ai de mim".

Outra possibilidade é a de que Paulo se colocava como alguém que , deixando de pregar, seria "co-responsável" pela não redenção daquele indivíduo, por não lhe haver dado a chance da conversão pela pregação do evangelho. "Ai de mim"; pois se não pregar, pessoas não ouvirão; em não ouvindo, não invocarão; em não invocando, não experimentarão a redenção.

Que a mesma consciência de Paulo esteja manifesta hoje, que seja percebido o privilégio-obrigação de pregar (viver-testemunhar) o evangelho, pois se assim não for, não resta outra coisa a dizer : "Ai de mim POR não pregar o evangelho".

Rev. Paulo Audebert Delage

domingo, 17 de outubro de 2010

AI (43)

ANO LXVIII - Domingo, 17 de outubro de 2010 - Nº 3390

"Ainda que venham a criar seus filhos, eu os privarei deles, para que não fique nenhum homem. Ai deles! Quando deles me apartar" (Oséias 9.12)

Uma das leis determinantes da natureza é a da semeadura, ou seja, aquilo que se semeia é o que se vai colher, o que se planta é o que se colhe. Ao se fazer a leitura do texto do profeta Oséias, vê-se uma situação aflitiva endereçada aos pais; a privação da presença dos filhos. Mesmo que se conseguisse criar os filhos, estes tais seriam subtraídos a seus pais por causa da ação de exércitos estrangeiros, que matariam ou levariam cativos os filhos que fossem criados. Uma verdadeira tragédia. Ficamos a pensar: que coisa terrível. Mas, este é o resultado. Qual a causa?

O profeta deixa claro que tal fato se daria com Israel no momento em que o Senhor se afastasse, ou voltasse "as costas" ao Seu povo, em uma ação de disciplina. O povo, já de muito, havia se afastado dEle e abandonara Aquele que o havia escolhido e chamado. O Senhor, por sua vez, ainda se mantinha ligado ao povo, devido à Sua paciência e longanimidade. Mas, a advertência estava posta: "ai deles quando deles me apartar".

Não se pode esperar receber outra coisa, a não ser a consequente tragédia pela atitude de abandonar o Senhor, a saber, ser abandonado por Ele. A sociedade moderna (ou pós-moderna) O tem abandonado e negado, assumindo um distanciamento dos valores estabelecidos por Ele mediante os ensinos de seus profetas, apóstolos e, sobretudo, Seu próprio Filho. Deus tem entregue os homens à sua própria decisão, os tem abandonado. Têm eles colhido o fruto desta semeadura de rebeldia e rejeição a Deus e Sua Palavra, e ainda ficam indagando e questionando tantas vezes: por quê, por quê? Isso se dá, inclusive, com algumas "igrejas" chamadas cristãs.

É pesaroso ao coração crente ver a situação daqueles que deixam o Senhor e são, por conseguinte, abandonados por Ele. Mas, Ele mesmo nos adverte por boca do apóstolo: "...de Deus não se zomba; pois aquilo que o homem semear, isso também ceifará" (Gálatas,6:7). A Ele nos apeguemos e jamais O deixemos.

Rev. Paulo Audebert Delage

domingo, 10 de outubro de 2010

AI (42)

ANO LXVIII - Domingo, 10 de outubro de 2010 - Nº 3389

"Ai deles! Porque fugiram de mim; destruição sobre eles, porque se rebelaram contra mim; eu os remiria, mas eles falam mentira contra mim". (Oseias 7:13).

Nem sempre existe uma relação direta de causa e efeito no processo ligado aos males que nos atingem. Porém, deve-se levar em conta o fato de que, por vezes, essa relação existe e é bem evidente.

No texto escrito pelo profeta Oseias tal relação é percebida nitidamente. A exclamação que envolve o "ai" contra os mandatários de Israel, ocorre como consequência de atitudes destes tais para com o Senhor. O profeta afirma que os indivíduos "fugiram" do Senhor, ou seja, afastaram-se dEle, ou posicionaram-se de modo indiferente em relação ao Senhor, vivendo como se Ele não existisse e não fizesse diferença alguma (secularismo).

A situação é agravada e aprofundada quando não apenas fogem , mas passam a se rebelar ou se revoltar contra o Senhor (ateísmo militante), assumindo postura de beligerância, oposição e luta contra o Senhor e qualquer ideia que esteja ligada a Deus. O resultado é também agravado: destruição. Isso foi o que, de fato, aconteceu. Houve destruição perpetrada pelos exércitos inimigos que invadiram os territórios de Israel, semeando e plantando a destruição. O preço pago pelas atitudes contra o Senhor foi altíssimo.

Vê-se, pelo texto, que mesmo com as atitudes assumidas por tais pessoas, o Senhor se mostra longânimo e disposto a remi-los, isto é, livrá-los ou libertá-los das ameaças estrangeiras. Mas, eles insistem em blasfemar contra o Senhor, falando mentiras contra o Santo. Esse é o quadro do coração humano que não se rende aos apelos do Senhor, nem se curva às demandas de Deus. Infelizmente; "ai deles".

Não fuja, não se rebele, não blasfeme contra o Senhor, mas volte-se para Ele, clame por Ele, entregue-se a Ele, a fim de não ouvir : "ai de você".

Rev. Paulo Audebert Delage

domingo, 3 de outubro de 2010

AI (41)

ANO LXVIII - Domingo, 03 de outubro de 2010 - Nº 3388

"Ai de vós que desejais o dia do Senhor! Para que desejais vós o dia do Senhor? É dia de trevas e não de luz" (Amós, 5:18)

Alguns textos bíblicos geram surpresa quando os lemos. Penso que este seja um deles. Como se pode imaginar ser alvo de lamentação aquele que deseja e anela pelo dia do Senhor? É de se supor que seja algo digno de louvor e elogio o desejar o surgimento de tal dia. Então, por que esse "ai" expresso pelo Senhor em relação a tais pessoas?

Acontece que, em muitos casos, as pessoas pensam que pelo fato de algo estar ligado a Deus aquilo é totalmente benéfico e abençoador a todos. Infeliz engano. No nascimento de Jesus, por exemplo, é dito que ele "está destinado tanto para ruína como para levantamento de muitos em Israel" (Lc.2:34), o que faz existir o contrate entre edificação e destruição, salvação e perdição. Assim, vemos que a própria manifestação de Cristo não é manifestação apenas de redenção ou alegria para a humanidade, mas , também, de condenação e tristeza.

É nessa dimensão que devemos ler e entender o texto do profeta Amós e seu "ai" pronunciado. O Dia do Senhor, que podemos tomar, nesse contexto, como o da manifestação do próprio Senhor Jesus em Sua glória, trará consigo não só vivas de aclamação, exultação e júbilo de vitória, mas, também, vozes de angústia, aflição e lamento profundo. Será também tempo de "choro e ranger de dentes".

Claro que o modo pelo qual esse Dia será de alegria ou tristeza; felicidade ou angústia, deve-se à maneira com a qual eu me relaciono com Aquele que será evidenciado e manifestado em tal dia, ou seja, o Senhor. Se meu relacionamento com Ele é de aceitação, fé e submissão à Sua vontade, então haverei de expressar voz de júbilo e alegria, recebendo palavra de bem-aventurança. Se, ao contrário, meu relacionamento com o Senhor é de rebeldia e rejeição, então restará ouvir e experimentar a dor aflitiva desse "AI".

Creia em Jesus Cristo como seu salvador pessoal e deseje, sem medo, a manifestação desse dia esplendoroso; o Dia do Senhor em Sua volta gloriosa.

Rev. Paulo Audebert Delage

domingo, 26 de setembro de 2010

AI (40)

ANO LXVIII - Domingo, 26 de setembro de 2010 - Nº 3387

"Ai do que diz ao pau: Acorda! e à pedra muda: Desperta! Pode o ídolo ensinar? Eis que está coberto de ouro e de prata, mas no seu interior não há fôlego algum" (Habacuque, 2:19)

O tema do profeta Habacuque passa do social (6, 9, 12) e relacional(15) para a esfera religiosa ou espiritual, ao tratar agora da questão ligada à manifestação da idolatria, ou do vínculo com ídolos. A linguagem do profeta é sarcástica, irônica e provocante. Em nosso contexto social sua atitude seria recriminável e "não estaria politicamente correta". No entanto, o compromisso com a verdade e o imperativo de alertar contra o risco do erro, são muito maiores que a polidez social e o recato formal.

O arauto do Senhor fala dos ídolos de pau e pedra como absolutamente incapazes de expressar qualquer sentimento. São inertes, imóveis, sem vida. Esperar deles (ou do que fazem representação) alguma forma de ajuda, socorro, amparo ou ensino é, na visão do profeta, totalmente sem sentido. O ídolo (a imagem) não ouvirá, não falará, não andará, não socorrerá e não ensinará.

Alega-se, muitas vezes, que não é a imagem ou o ídolo, mas aquele que por ele é representado, que nos vai ajudar e auxiliar. Há quem assim entenda e assim creia. No entanto, a Escritura diz que nosso socorro e ajuda vem tão somente do Senhor em quem esperamos (Salmo 62: 1 ; Atos 4: 12); nem o ídolo, nem aquilo ou aquele que ele está representando. Nossa relação de dependência de graça, misericórdia e bondade (na esfera da fé) deve ser apenas para com o Senhor. Caso haja interposição de algo ou alguém com representação física (ou mental) a quem nos dirijamos, que não seja o Senhor, essa atitude é manifestação de idolatria, quebrando o segundo mandamento expresso pelo Senhor.

Milhares de milhares estão mergulhados neste erro, envolvidos neste modo impróprio de relacionar-se com o mundo espiritual. Estão, infelizmente, debaixo desta exclamação: "Ai dos que assim fazem". Deus tenha misericórdia.

Rev. Paulo Audebert Delage

domingo, 5 de setembro de 2010

AI (39)

ANO LXVIII - Domingo, 05 de setembro de 2010 - Nº 3384

"Ai daquele que dá de beber ao seu companheiro, misturando à bebida seu furor, e que o embebeda para lhe contemplar as vergonhas" ( Habacuque 2: 15)

Como se pode perceber a questão básica envolvida neste "ai" é a bebida alcoólica usada de forma inadequada e indevida. São duas situações apresentadas, mas em ambas a repreensão é contra aquele que oferece e leva o outro a ingerir a bebida. O que bebe, nestes dois casos, é visto como vítima de seu suposto companheiro.

Uma situação é vinculada ao exercício da violência, ou seja, com dolo o indivíduo embriaga o outro para desferir-lhe algum golpe de violência. Aquele tem como propósito ferir e atingir a este e, com sagacidade, diminui a capacidade de oposição e resistência, fazendo-o ingerir alcool para ser facilitado em seu intento danoso.

A outra situação está ligada ao aspecto da "invasão de privacidade" ou da "violação do pudor". Vê-se que a intenção é desnudar o outro, "contemplar suas vergonhas". Claro está que se trata de uma forma eufêmica (branda) de dizer que o intento era alguma forma de exploração sexual. A exposição da nudez para humilhação pública, ou o interesse em aproveitar-se da situação para satisfação de suas vontades. Novamente a bebida servirá para impossibilitar ou diminuir, de forma acentuada, a resistência a tal forma de investida.

Como deixar de entender que estas ainda são formas, ainda hoje, de agir de muitos. Vemos com frequência o uso da bebida associado à violência e brutalidade física. Acompanhamos casos e casos de pessoas que são embriagadas (dopadas) e, a seguir, exploradas sexualmente. A vileza do ser humano continua desconhecendo o passar do tempo. Não há tanta diferença daqueles tempos para estes de hoje. De igual modo, não há diferença da ação de Deus contra tais posturas. O Senhor ainda mantém a mesma repreensão e seu desdobramento condenatório, e continua a dizer: "ai destes que assim procedem".

Não assumamos tal forma de comportamento (uso impróprio de um meio), nem permitamos ser envolvidos por indivíduos mascarados de "companheiros", mas cujo propósito é prejudicar-nos, explorar-nos e ferir-nos. Vigilância e prontidão.

Rev. Paulo Audebert Delage

domingo, 29 de agosto de 2010

AI (38)

ANO LXVIII - Domingo, 29 de agosto de 2010 - Nº 3383

"Ai daquele que edifica a cidade com sangue, e a fundamenta com iniquidade!" (Habacuque, 2:12)

Mais um "ai" dentre os cinco que temos neste capítulo da profecia de Habacuque, todos dirigidos contra os caldeus (babilônicos), mas que se aplicam a todos nós com caráter de advertência.

O tema envolve, mais uma vez, a cidade e sua edificação ou construção. Em nossos tempos de eleição–política é uma boa hora para olharmos esta questão. Nossas cidades têm sido construídas (edificadas-desenvolvidas) à custa de muito sangue. Sangue de inocentes mortos pela violência urbana, manifestação da natureza corrompida do ser humano; sangue de muitos explorados e mortos na desigualdade imposta por uma "lei de mercado" impiedosa e virulenta, que massacra, escraviza e desumaniza (ao que aplica e ao que é alvo). Pense sobre as cidades ao longo da história e veja como há muito sangue em seus alicerces. Algumas foram subvertidas pelo juízo divino, mas a maioria ainda vem sendo suportada pela longanimidade de Deus.

A pronúncia de juízo de Deus é clara: "ai dos que...". Sua sentença não é sobre a cidade (edificações, construções, etc.), mas sobre as pessoas que edificam-nas desta forma brutal e desumanizadora. Vemos que a questão estrutural-social passa pela via do individual, ou seja, quem a edificada. A solução é a cruz redentora de Cristo, para resolver o problema básico e fundamental do ser humano, o pecado. Sua presença e manifestação é individual, mas sua abrangência e seu reflexo são sociais, institucionais e estruturais. Não se trata de mais religião, ou falta de Deus (visão do senhor Datena); conversa sobre Deus e religião há em abundância. O que precisa é redenção pela cruz de Cristo, regeneração e novo nascimento, sendo, de fato, nova criatura.

Quem tem edificado nossa cidade, estado e nação? A quem vamos entregar este processo? Verifique bem. Seu passado e presente são de projetos de melhoria da condição humana? O que fez e faz? Seu passado aponta para a realização de atividades de morte, roubo, delito, sequestro, etc? Seja de direita , de esquerda ou centro; não importa.

Tenho contribuído para que a cidade seja edificada com sangue? Pense e verifique sobre sua conduta como cristão; pois o Senhor fala ainda hoje e também a nós: "ai daquele..."

Rev. Paulo Audebert Delage

domingo, 22 de agosto de 2010

AI (37)

ANO LXVIII - Domingo, 22 de agosto de 2010 - Nº 3382

"Ai do que acumula o que não é seu... Ai do que ajunta em sua casa bens mal adquiridos..." (Habacuque 2:6,9)

No capítulo 2 da profecia de Habacuque encontramos cinco "ais" relativos à situação ligada aos caldeus (instrumentos de Deus para disciplinar e penalizar Israel), na qual o Senhor mostrará que tal povo, mesmo instrumento de Sua soberania, é responsável por seus atos de violência e excesso.

O primeiro "ai" (v. 6) fala sobre a forma injusta de acúmulo do que não é seu, ou seja, fruto de ação dolosa contra o outro, seja por subtração violenta ou não, seja por forma dissimulada de negociação lesiva. Tal modo de crescimento de patrimônio (enriquecimento) é visto como ilícito e ao que assim fazem tornam-se alvo de admoestação da parte de Deus, pois hão de receber o retorno. Isso é o que se vê nos versos seguintes (7-8). A ação e revolta dos que foram vitimados se farão manifestas e as consequências serão trágicas sobre os que os haviam explorado e lesado. Mesmo que os homens não consigam promover essa "lei de retorno", certamente O Senhor não haverá de deixar que tal conduta fique sem a devida retribuição.

O segundo "ai" (v. 9) está escrito de certo modo, ligado ao anterior, visto que estabelece o princípio do aumento de patrimônio por meio não lícito. O julgamento inadequado e a falsa ideia de segurança nutridos por tais pessoas, são postos no chão pelo Senhor, deixando claro que tais bens adquiridos impiamente não poderão fazê-los livres ou imunes à ação das "garras do mal". Essa expressão pode envolver ideias distintas de qual forma de mal seja, mas, independentemente de qual seja a acepção, haverá de permanecer o fato de que a pessoa cuja postura é aqui denunciada, será alcançada e sua cobiça e orgulho sofrerão o devido juízo. Usa-se uma expressão para apontar que, mesmo parecendo impossível, tal juízo haverá de ocorrer e alcançar esses indivíduos, expressão essa conhecida no Novo Testamento e usada (em outro contexto) pelo Senhor Jesus: "a pedra clamará" e o madeiramento haverá de responder com juízo.

Nesse mundo mergulhado na perspectiva do lucro a qualquer custo e da vantagem às custas da lisura e honestidade, esses "ais" continuam vibrando com toda força e intensidade, advertindo a todos nós: cuidado.

Rev. Paulo Audebert Delage

domingo, 15 de agosto de 2010

AI (36)

ANO LXVIII - Domingo, 15 de agosto de 2010 - Nº 3381

"...Ai de vós também, intérpretes da lei! Por que sobrecarregais os homens com fardos superiores às suas forças, mas vós mesmos nem com um dedo os tocais" (Lucas 11:46)

Jesus havia censurado de forma dura os fariseus, devido às suas atitudes inadequadas e impróprias. Uma outra classe de pessoas, também respeitada em Israel - os intérpretes da lei - toma a defesa dos fariseus e alega ser também atingida pelas contundentes palavras do Mestre. Poder-se-ia esperar que o Senhor Jesus se tornasse mais ameno e brando, reconsiderando seu modo de falar. No entanto, com serenidade, mas com virilidade e vigor, ele se dirige diretamente aos seus interpeladores e os atinge com outra censura devido a comportamento recriminável demonstrado por eles.

Os intérpretes da lei tornaram-se especialistas em explicar a Lei do Senhor, dando seu parecer sobre todos os textos da Torah e, do resto, o Velho Testamento. Criavam regulamentações e estabeleciam normas absurdas a serem observadas pelas pessoas, com o intuito de cumprirem todas as demandas da Lei. Essas diretrizes tornavam-se impossíveis de serem observadas, gerando um aflição naqueles que as recebiam como imposição por mando desses "doutores da Lei".

Ocorre que além da imposição de tais normas e diretrizes, tais elementos não se envolviam na busca por oferecer auxílio aos que deveriam observar as prescrições estabelecidas por eles. Os fardos pesadíssimos impostos sobre os ombros das pessoas deveriam ser por elas carregados sozinhos.

Ainda vemos que há muitos que assim agem na esfera da religião, mesmo chamadas cristãs e evangélicas. Oneram, de forma exacerbada, os ouvintes e fiéis, levando-os ao esgotamento e à exaustão. Sobrecarregam-nos com excesso de pedidos de dinheiro (subtraindo-lhes, por vezes, o próprio sustento); afligem-nos com acusação de falta de fé por não haverem sido curados, responsabilizando os enfermos pelo insucesso da cura, sufocam-nos com regras de costumes, entre outras tantas formas modernas de atar fardos pesados sem, no entanto, oferecer um dedo de ajuda para auxiliar a carregá-los.

Sejamos solidários no socorro àqueles que têm fardos pesados a levar. Ofereçamos nossa ajuda e prestemos a eles nosso socorro, aliviando-lhes o fardo, seguindo o exemplo de nosso Senhor e Salvador Jesus Cristo.

Rev. Paulo Audebert Delage

domingo, 1 de agosto de 2010

AI (35)

ANO LXVIII - Domingo, 01 de agosto de 2010 - Nº 3379

"Ai de vós! Que sois como as sepulturas invisíveis, sobre as quais os homens passam sem o saber" ( Lucas 11:44).

Essa palavra de Jesus dirigida aos fariseus soa como contraditória ao que disse em Mateus 23:27, ao referir-se aos fariseus como "sepulcros caiados". Na verdade, não ocorre qualquer contradição. São duas situações distintas e ambas ilustram alguma forma de atitude ou comportamento de muitos fariseus e escribas.

De fato, os sepulcros deveriam ser assinalados ou destacados (pintados, cercados, etc.), a fim de evitar que as pessoas passassem sobre eles ou com eles tivessem contato, ficando cerimonialmente impuras. Na tradição judaica o contato com o morto (ou lugar onde estivesse), fazia com que tal pessoa fosse tida como imunda por determinado período. Havia necessidade de purificações, banhos, afastamento das coisas sagradas, não participação em cerimônias, etc.

Jesus, nesse sentido, traz sobre os fariseus uma palavra de grande reprovação e reprimenda, ao sustentar que a atitude deles fazia com que as pessoas se tornassem contaminadas ou impuras. Os fariseus não conduziam as pessoas à santidade e à comunhão com o Senhor; antes, faziam com que viessem a ter uma vida divorciada da comunhão com o Santo e o Sagrado.

Não se está falando aqui de omissão (escondidos), mas de ação ou comissão. A comparação feita é para indicar que as pessoas são conduzidas à impureza cerimonial e religiosa pela ação dos religiosos. São eles os responsáveis por levar as pessoas ao contágio e infecção, devido a seus ensinos e posturas dissimulados e falseadores da verdade, mas que as pessoas não percebem, não enxergam, como as sepulturas "invisíveis" das quais Jesus fala no texto.

Nem sepulcro caiado (bonito por fora e podridão por dentro), nem sepultura invisível (agente de contaminação), mas referencial de integridade e sinceridade, bem como de direcionamento à verdade e santidade, é o que se requer de nós na condição de cristãos, para não ouvirmos os mesmos "ais" dirigidos aos escribas e fariseus.

Rev. Paulo Audebert Delage

domingo, 25 de julho de 2010

AI (34)

ANO LXVIII - Domingo, 25 de julho de 2010 - Nº 3378

"Ai de vós, fariseus! Porque gostais da primeira cadeira nas sinagogas, e das saudações nas praças" ( Lucas,11:43)

Ao se ler tantos "ais" dirigidos contra os fariseus, escribas e intérpretes da lei, pode-se, enganosamente, imaginar que o Senhor Jesus nutrisse, por tais pessoas, alguma forma de repulsa, raiva, ódio e rejeição. Não é verdade. Jesus lidou com eles, aproximou-se deles e com eles conviveu. No entanto, sempre confrontou o comportamento daqueles que precisavam ser confrontados, sem deixar de lhes advertir sobre sua forma imprópria e ímpia de agir.

Ao lermos o nosso texto acima, podemos perguntar: qual o problema de desejar assentar na primeira cadeira (fileira de bancos) ou receber a saudação na praça (saudação pública)? Não é o ato ou fato em si, mas sua intenção. A disputa existente não era para ouvir a mensagem, não era o desejo ardente de escutar o ensino das Escrituras, mas de projetar sua própria imagem de importância. Não era o de ser saudado fraternalmente, mas de ser distinguido entre e acima dos outros.

O foco gerador do "ai" dessa passagem é o orgulho, a vaidade, a soberba. O que se objetiva é a honra dada pelos homens acima da busca pela glória de Deus. O destaque se torna o próprio indivíduo, que é o centro de sua própria atitude. Não se deseja realçar a figura de Deus ou a relevância do aprendizado de Sua Palavra e vontade, mas a pessoa do assistente-ouvinte. Quando isso acontece, não resta outra fala a não ser essa: ai desses.

Sejamos assíduos ao culto, fiéis com nossa presença, atentos com nosso coração. Busquemos estar assentados em condições de ouvir e responder (mesmo nos primeiros bancos), mas sem o desejo de sermos vistos e recebermos qualquer gratificação humana por causa disso.

Rev. Paulo Audebert Delage

domingo, 18 de julho de 2010

AI (33)

ANO LXVIII - Domingo, 18 de julho de 2010 - Nº 3377

"Ai dos ricos... ai dos que estão fartos... ai dos que agora riem... ai dos que por todos são louvados" (Lucas 6:24-26)

Existem quatro exclamações de "ais" nesses três versículos escritos por Lucas. Trata-se dos contrastes feitos pelo Senhor no Sermão do Monte, constante apenas em Lucas (6:20-23). Os ricos têm sua própria consolação no dinheiro, em contraste com os pobres de espírito, cuja consolação e esperança é o Senhor. Os que agora estão fartos, ou seja, não têm fome e sede de justiça, virão a sofrer escassez diante do Senhor. Os que agora riem e se alegram, regozijando-se com a falsa situação de auto-redenção em Cristo. Aqueles que são louvados por todos, certamente são habilidosos na arte de adaptar-se e agradar a todos, inclusive aqueles que se postam contra o Senhor e Suas leis. Esses tais, felizes agora, virão a ser alvo de aflição e angústia por causa desse seu modo de viver.

Jesus não está recriminando a riqueza, a fartura, o riso e o elogio na vida de uma pessoa. Sua palavra de caráter severo é para nos alertar que não devemos ficar colocando nossa esperança e confiança em estruturas humanas, seja de que ordem for. Nosso compromisso é com nossa fidelidade a Ele e dedicação aos valores por Ele ensinados e vividos, nos torna alvo de todos esses "ais".

Não devemos desejar que os outros falem mal de nós, mas não podemos querer que todos falem bem de nós, à base da negação de nosso compromisso com Ele. O próprio Senhor foi criticado, destratado e se tornou alvo de injúrias e inverdades por parte de seus adversários. Ele jamais quis ser elogiado por todos. Seu desejo, que deve ser também o nosso, era ser elogiado por seu Pai. Assim devemos ser nós também: "Bem está servo bom e fiel, foste fiel no pouco, sobre o muito te colocarei" (Mateus 25:21).

Rev. Paulo Audebert Delage

domingo, 11 de julho de 2010

AI (32)

ANO LXVIII - Domingo, 11 de julho de 2010 - Nº 3376

"Ai das que estiverem grávidas e das que amamentarem naqueles dias." (Mateus 24:19)

Palmares, Vitória de Santo Antão, Branquinha cidades de Alagoas e Pernambuco, entre outras, as quais foram atingidas de forma violenta pelas enchentes no mês de junho. Foi, para todos ali, tempo de desolação e assolação.

Qual a relação do texto do evangelho escrito por Mateus e os acontecimentos nessas cidades citadas? A angústia daquelas que estão grávidas e ou amamentando, ao verem sua própria condição e a relação com seus filhos por nascer ou recém nascidos, nas circunstâncias em que se encontravam.

O texto de Jesus é mal entendido e pessoas pensam que se trata da volta de Cristo. Seria impróprio pensar assim, pois as grávidas ou mães recentes não terão sofrimento pelo fato de estarem nessas condições quando Jesus voltar. A referência é sobre a destruição de Jerusalém que aconteceria 40 anos mais tarde. Os exércitos romanos invadiram Jerusalém depois de longo tempo de cerco à cidade. Não pouparam nem grávidas , nem recém nascidos. Esse o motivo do "ai"; a angústia dessas mulheres de terem seus ventres abertos pela espada e seus filhos mortos.

Jesus mostra sua compaixão e seu sentimento de tristeza ao antever o sofrimento dessas mulheres que perderiam suas vidas e veriam seus filhos pequeninos morrerem às mãos de soldados romanos. Era um aviso aos viventes de seus dias, era uma advertência quanto ao que estavam fazendo e ao que viriam a fazer, mas não deram ouvidos, não aceitaram suas palavras, não agasalharam seus conselhos. A lei da semeadura e da colheita se fez presente: o que o homem semear, isso também colherá.

O que isso tem a nos dizer ainda hoje? O mesmo que aos daqueles dias. A rebelião contra o Senhor, a rebeldia contra as diretrizes de Deus, a obstinada forma de resistir aos ensinos do Senhor e o apêgo a modo e forma de vida contrários aos ensinos da Palavra de Deus, são determinantes de juízo, que não é prazeroso ao Senhor, mas que não deixará de ser manifesto, pois "de Deus não se zomba, com Deus não se brinca, o que o homem semear, isso também colherá" (Gálatas 6:7).

Rev. Paulo Audebert Delage

domingo, 4 de julho de 2010

AI (31)

ANO LXVIII - Domingo, 04 de julho de 2010 - Nº 3375

"Ai de vós, escribas e fariseus, hipócritas! Porque sois semelhantes aos sepulcros caiados, que por fora se mostram belos, mas interiormente estão cheios de ossos de mortos, e de toda imundícia" (Mateus, 23:27)

O texto acima transcrito é, em meu modo de pensar, o mais conhecido e difundido entre os "ais" que atingem os fariseus. As pessoas que têm um pouco de contato com o cristianismo conhecem a expressão: sepulcro caiado. Sabem que está relacionada à forma hipócrita, falsa e enganadora de viver e se apresentar. A hipocrisia dos fariseus é apresentada de modo mais característico e vívido nessa expressão.

A figura é direta e simples. A beleza e cuidado com o lado de fora (aparência) são muito acentuados e grandes. Mas, o interior está todo cheio de podridão e de coisas repulsivas e repugnantes. A aparência é enganadora, pois o verdadeiro está no interior, está dentro. Jesus sempre valorizou o interior, pois "de dentro é que procedem as saídas da vida" (Mt.15:19). O exterior, o visível, o aparente tem seu valor e importância. Jesus nos ensinou a cuidar do corpo, a valorizar nossa aparência , inclusive mandou-nos ungir o rosto e ter boa aparência quando jejuamos. Mas, sua ênfase foi à lealdade, verdade, sinceridade e integridade, muito mais que à aparência.

Os religiosos são alvo dessa tentação constante de aparentar algo, sem que haja manifestação de tal verdade no seu interior. Essa foi a acusação de Jesus. Em nossos dias a classe política é, também, a imagem exata da figura usada pelo Senhor Jesus. É chocante vermos como essas figuras públicas da política se tornam como tais "sepulcros caiados", que se apresentam como paladinos da verdade, bastiões da integridade, cavalheiros da justiça. No entanto, às escuras, mostram-se indivíduos envolvidos em favorecimentos ilícitos, conchavos imorais, arranjos e acordos iníquos.

A figura usada por Jesus é impactante e tem aplicação profunda no contexto da sociedade, seja na esfera política ou religiosa. Não sejamos nós atingidos por tal afirmação de Jesus; antes, vivamos de modo tal, que nosso belo exterior seja manifestação coerente e real de nosso interior igualmente limpo e belo.

Rev. Paulo Audebert Delage

domingo, 27 de junho de 2010

AI (30)

ANO LXVIII - Domingo, 27 de junho de 2010 - Nº 3374

"Ai de vós escribas e fariseus, hipócritas! Porque dais o dízimo da hortelã, do endro e do cominho, e tendes negligenciado os preceitos mais importantes da lei, a justiça, a misericórdia e a fé; devíeis, porém, fazer estas cousas, sem omitir aquelas" (Mateus 23:23)

A abordagem de Jesus, feita nestes dizeres, é sobre um assunto que se tornou delicado falar no ambiente das igrejas, o dízimo. Claro que o interesse de Jesus não é falar sobre o dízimo (preceito bíblico e lei), mas, sim, expor atitude hipócrita de religiosos que valorizam mais esse ato (dar o dízimo), que o praticar os valores mais sublimes e elevados.

É ressaltado o zelo e a fidelidade dos religiosos pelo fato de darem o dízimo, até mesmo, das coisas pequenas e insignificantes, como as hortaliças apontadas no texto. É um exemplo a ser seguido por nós, o cuidado demonstrado para com o mandamento do Senhor. No entanto, é preciso que atentemos para o exercício das virtudes colocadas por Jesus, pois a observância de tais padrões de conduta (justiça, misericórdia e fé) não podem ser substituídos pelo simples cumprimento de mandamento legal (circuncisão, dízimo, etc).

Para aqueles que tentam negar a realidade do exercício do dízimo, dizendo que Jesus nunca ensinou tal prática, o texto transcrito mostra o contrário. O Senhor Jesus não está desconstituindo o dízimo e sua prática, ao contrário, Ele está determinando que seja ele cumprido tanto quanto as virtudes por Ele apontadas. Sua afirmativa é inquestionável: fazer estas (praticar justiça, misericórdia e fé), sem deixar de fazer aquelas (dar o dízimo das coisas rentáveis).

A exploração da boa-fé, o abuso de indivíduos vorazes em sua ânsia de coletar dinheiro e as distorções de ensino quanto à prática da entrega do dízimo, não podem nos impedir de exercer, com fidelidade e zelo, esta prática reafirmada pelo Senhor Jesus, sem nos esquecermos, no entanto, do exercício da justiça, misericórdia e fé, a fim de não sermos assemelhados aos hipócritas e termos sobre nós esse mesmo "ai".

Rev. Paulo Audebert Delage

domingo, 20 de junho de 2010

AI (29)

ANO LXVIII - Domingo, 20 de junho de 2010 - Nº 3373

"Ai de vós, guias cegos! que dizeis: Quem jurar pelo santuário, isso é nada; mas se alguém jurar pelo ouro do santuário, fica obrigado pelo que jurou" (Mateus,23:16)

Votos e juramentos; o Senhor Jesus não os está condenando, mas aos guias, a quem chama de cegos, que conduziam o povo ao erro em termos do exercício do juramento.

No texto transcrito, e nos versículos seguintes, encontramos o desvio do sentido, que é o alvo da admoestação de Jesus, a saber, a valorização maior da coisa material em relação à sublimidade do espiritual. Para esses "guias cegos" o ouro do santuário e a oferta sobre o altar são mais valiosos e importantes que o santuário e o altar. Sua atenção está presa e voltada para o valor da coisa em si, mas sem a devida valorização do que lhe dá, de fato, o valor.

Podemos imaginar que haja quem ainda hoje assim faça ou pense? Infelizmente isso ainda é verdade. Para muitos, inclusive guias chamados religiosos, o valor maior está nas coisas (casa, carro, roupa, bens de consumo) e não no compromisso da relação de fé com o Senhor, ainda que tal engajamento não resulte em benefício imediato ou material.

Não se trata de hipocrisia (nesse caso), mas de cegueira. Estavam com sua percepção espiritual obliterada, sendo incapazes de enxergar os aspectos de real valor e importância envolvidos no assunto. Essa atitude de cegueira em um condutor, é extremamente preocupante, posto que põe em risco aqueles que são por eles conduzidos. Isso nos faz lembrar a palavra do Senhor ao dizer: "Deixai-os: são cegos, guias de cegos. Ora, se um cego guiar outro cego, ambos cairão no barranco" (Mt.15:14). A responsabilidade dos que ensinam da forma como os escribas e fariseus estavam fazendo, não traz apenas sobre eles a punibilidade e juízo, mas, desafortunadamente, faz com que os seus conduzidos sejam também levados ao erro.

Sejamos guias que têm a visão aberta e a percepção acurada dos valores do Reino, conduzindo os que nos acompanham à segurança do ensino correto da Palavra de Deus, levando-os a "buscar em primeiro lugar o Reino de Deus e sua justiça" (Mt.6:33).

Rev. Paulo Audebert Delage

domingo, 13 de junho de 2010

AI (28)

ANO LXVIII - Domingo, 13 de junho de 2010 - Nº 3372

"Ai de vós, escribas e fariseus, hipócritas! Porque rodeais o mar e a terra para fazer um prosélito; e, uma vez feito, o tornais filho do inferno duas vezes mais do que vós" (Mateus 23:15).

O Senhor Jesus continua vociferando contra os escribas e fariseus, e mantém a palavra dura, chamando-os de hipócritas, não se importando com regras de etiqueta e coisas dessa ordem.

Pode-se destacar o zelo dos fariseus e dos escribas em se conseguir prosélitos, ou seja, convertidos e novos adeptos à sua doutrina religiosa. Há um empenho muito grande: "rodeais céu e terra". No entanto, o esforço é visto como um retumbante fracasso, uma vez que tal dedicação fará com que o novo adepto continue perdido e condenado ao inferno (geena).

Jesus afirma que tal pessoa será feita "filho do inferno duas vezes mais que vós". Aqui se vê a colocação de que não basta religião, mesmo a que tenha doutrina certa, como era a dos judeus, pois apenas a religião certa não livra ninguém da condenação eterna. Jesus diz que aqueles fariseus e escribas eram filhos da condenação (do geena), e os que abraçassem a crença, como ensinada por eles, teriam igual destinação.

Há muitas religiões, hoje em dia, que se empenham por fazer prosélitos e, depois de fazê-los, os tornam tão filhos do inferno quanto seus doutrinadores. O sentido do texto, ao falar sobre "duas vezes mais do que vós", se aplica de igual modo, pois o indivíduo estava perdido anteriormente e, agora, continua na mesma situação. Mudou de religião, mas ainda está em condenação, ou seja, na situação anterior e na atual está condenado (duas vezes).

Podemos correr esse tipo de risco? Sim. Se nossa mensagem for apenas religiosa e sem expressão de vida. Se comunicarmos apenas doutrina e preceitos e não a Pessoa de Jesus e Sua Obra redentora, que deve ser aceita e recebida por aquele a quem falamos. Fazê-lo apenas seguidor de nosso Credo é torná-lo condenado duas vezes. É preciso que haja , de fato, salvação em Jesus, entrega de vida a Ele com arrependimento e confissão de pecados, para haver recepção da graça salvadora na Pessoa de Jesus, o Cristo.

Rev. Paulo Audebert Delage

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ARQUIVO DE ARTIGOS E PUBLICAÇÕES DA IPVM

Este arquivo contém parte da memória da IGREJA PRESBITERIANA DE VILA MARIANA publicada ao longo de vários anos em capas de boletins, encartes e outros meios, aos poucos resgatados e acessível a todos através deste blog.

SUGESTÕES DO CANTINHO CULTURAL

  • LIVRO: GOTAS DE AMOR PARA A ALMA. AUTOR: Rev. Hernandes D. Lopes. ASSUNTO: mensagens diárias para edificar sua vida, consolar-lhe o coração, fortalecer-lhe a fé. Não são textos de autoajuda, mas falam do auxílio divino.
  • LIVRO: TOQUE O MUNDO POR MEIO DA ORAÇÃO. AUTOR: Wesley L. Duewel. EDITORA: Hagnos. ASSUNTO: este livro sugere planos passo a passo para elaborar listas de oração, organizar círculos de oração e retiros de oração para os cristãos que tem a incumbência de orar pela salvação e bênçãos das pessoas.
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