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domingo, 28 de abril de 2019

GRAÇA SOBRE GRAÇA (I)

ANO LXXVI - Domingo, 28 de abril de 2019 - Nº 3835

Graça sobre graça (I)

Você sabe a diferença entre angústia e ansiedade? A ansiedade lida com a possibilidade, ela surge em um ambiente de dúvidas em que as variáveis podem levar a resultados desagradáveis e incertos. A angústia é exatamente o contrário, ela é a constatação dos cenários desfavoráveis, é a materialização dos medos e de toda a ansiedade que havia, ela nasce diante da realidade e dos fatos que até o momento, são inalteráveis.

Diante disso, eu gostaria de iniciar uma ciclo de meditações em formato de texto, utilizando este espaço, para buscarmos na palavra de Deus algumas orientações que podem nos ajudar a lidar com a angústia e como Deus pode transformá-la. Para isso, eu usarei o salmo 107, onde encontramos 4 pedidos de ajuda, que surgem perante um contexto de angústia e que são marcados pela intervenção divina. Provavelmente, este salmo tenha sido escrito durante o tempo de exílio e ele é escrito utilizando a seguinte estrutura: Constatação da Tragédia / Clamor a Deus / Resposta de Deus / Resposta à ação de Deus.

Analisando o primeiro pedido de ajuda, encontramos nos versos 4 e 5, a constatação da tragédia: “eles andaram errantes nos desertos, por ermos caminhos, sem achar cidade em que habitasse. Famintos e sedentos, desfalecia neles a alma.” De maneira mais explícita, esses versos dizem que o povo estava perdido, sem direção e sem segurança e isso os causou fome física e enfraquecimento espiritual.

Ante a esse quadro, fizeram um Clamor a Deus: “Então, na sua angústia, clamaram ao SENHOR” (v.6a). Essa atitude, embora pareça óbvia, pois é o que se espera do remidos (v.2), ela traz a tona, que essa era a última esperança desse povo.

E de maneira, não tão surpreendente, vemos a Resposta de Deus: “e ele os livrou das suas tribulações. Conduziu-os pelo caminho direito, para que fossem à cidade em que habitassem... Pois dessedentou a alma sequiosa e fartou de bens a alma faminta.” (v.6b, 7 e 9). E agora, espera-se desse povo uma Resposta a ação de Deus: “Rendam graças ao SENHOR por sua bondade e por suas maravilhas para com os filhos dos homens!”.

A angústia é uma constante em muitas vidas, não permita que ela seja o fim da história, no salmo ela é o começo de uma intervenção, ela é o fator gerador de clamor, que possibilita experimentarmos a ação de Deus e sermos levados a adorá-lo. Está em angústia? Deus transforma a angústia em adoração.

Pr. Gustavo Bacha

domingo, 14 de abril de 2019

PROMESSAS DA RESSURREIÇÃO

ANO LXXVI - Domingo, 14 de abril de 2019 - Nº 3833

PROMESSAS DA RESSURREIÇÃO

Com quem você gostaria de passar seus últimos momentos de vida? Eu gostaria de passar com a minha esposa e meus filhos, meus pais, meus irmãos, com a igreja que pas­toreio, ou seja, ao lado de pessoas que amo. Me sinto bem e acredito que de alguma forma também faço bem a elas. Creio que você não pense tão diferente disso.

Jesus não teve essa oportunidade. Seus últimos momentos foram na companhia de algozes, inimigos, opositores, torturadores. Até mesmo aqueles que tinham intimidade e nu­triam um relacionamento com Ele, tiveram atitudes bem opostas às expectativas humanas. Por exemplo, Judas o traiu, Pedro o negou, quase todos os discípulos o abandonaram, ficando somente sua mãe e outras poucas pessoas.

Voltando um pouco no tempo, alguns dias antes de sua morte, Jesus conversando com seus discípulos, já os preparava para este momento. Esta preparação estava sendo feita com o intuito de trazer para eles, e para nós, algumas promessas que aconteceriam com a sua morte e também ressurreição. No evangelho, registrado por João, no capítulo 14, ele faz a primeira promessa de sua morte e ressurreição. Ele nos promete uma nova morada (v.1-6). Jesus diz isso, porque Ele enxerga a necessidade dos apóstolos que estavam com muito medo da morte. Por isso, nesse tempo do calendário cristão, que entramos na semana em que Cris­to celebrou a última páscoa, e nós celebramos a Sua ressurreição, é tempo de resgatarmos o nosso rumo, o nosso norte, o nosso ponto de referência. Jesus foi preparar morada para nós. Um lugar onde não haverá mais medo, insegurança, ansiedade, depressão e síndrome do pânico, não haverá mais desemprego, suicídio, divórcio, nem pais enterrarão seus filhos, nem filhos sentirão saudade de seus pais, pois Ele está preparando um lugar para nós. Jesus é Aquele que conhece todas as nossas necessidades, futuras e presentes e em tempo oportuno, reponde a cada uma delas, segundo a vontade do Pai.

Outra promessa da morte e da ressurreição é o envio de um consolador, versos 16 a 24. Ele solicita a Deus, outro Consolador, igual a Ele, que vai nos confortar os corações en­quanto não desfrutamos dessa promessa “in loco”. O Espírito Santo de Deus faz morada em nós, trazendo a memória aquilo que nos enche de esperança.

Mas quem tem direito a essas promessas? O verso 21 nos diz, “aquele que me ama”. Às vezes, nessa época do ano, somos levados a acreditar que o chocolate é mais importante que o sangue, que o bacalhau é mais encantador que a cruz, que o coelho é mais atraente que Jesus. Ofuscar a beleza dessa data com esses sofismas é mostrar que talvez não o amamos como Ele gostaria. Não negocie a importância da ressurreição, ela é a principal celebração dos discípulos e discípulas que amam a Jesus.

Rev. Gustavo Bacha

domingo, 31 de março de 2019

CHAMADOS PARA SERVIR

ANO LXXVI - Domingo, 31 de março de 2019 - Nº 3831

Chamados para Servir

Neste mês que de março, nos cultos da noite, trabalhamos a temática do serviço e suas implicações, numa tentativa de alinharmos a visão bíblica àquilo que já temos feito e realizado.

Graça a Deus a IPVM é uma igreja que trabalha. Temos muitos ministérios e sua grande maioria é desempenhada por liderança chamada leiga, ou seja, sem a formação teológica e isso não é nenhum demérito ou problema, ao contrário, isso é a resposta que esses líderes tem dado ao Senhor no envolvimento com os ministérios, alinhando os dons que possuem com a oportunidade de servir.

Na primeira mensagem dessa série, ao final do sermão, eu desafiei a igreja a se engajar nos ministérios que estão necessitando de ajuda, para isso distribuímos fichas com as áreas que estão descobertas na igreja, ou carentes. O resultado foi incrível, tivemos 121 pessoas que preencheram a ficha e 445 novos engajamentos ministeriais. Isso significa que cada pessoa que preencheu a ficha se engajou em pelo menos outras 3 áreas de serviço.

Se você está lendo isso e está com aquele sentimento de que poderia servir na IPVM, mas não sabe onde, ou talvez até saiba mas não tem certeza se precisa de ajuda nessa área, nós distribuiremos novamente a ficha no culto vespertino deste domingo, e ela está atualizada com novas oportunidades de serviço.

Quem sabe esse seja o momento que Deus está concedendo a você o privilégio de serví-lo na igreja que é do Senhor.

Rev. Gustavo Bacha

domingo, 17 de março de 2019

TEMPO DE NASCER, TEMPO DE MORRER.

ANO LXXVI - Domingo, 17 de março de 2019 - Nº 3829

Tempo de nascer, tempo de morrer.

Eram 10h da manhã quando a reunião dos pastores da igreja, que acontecia na sala do conselho, foi interrompida por um pedido de ajuda. Saímos todos em direção à tesouraria para tentar auxiliar de alguma maneira. Não foi possível mudar a situação, que dentro do tempo determinado de Deus já havia sido programada. O tempo de morrer havia chegado e nada mudaria aquela realidade.

A amada esposa Beth perdeu seu marido. Flávio e Vanessa o pai. Ana e Eduardo o sogro. O pequeno Rafael o vô. E nós perdemos metade da cara da recepção da IPVM. Quantos de nós não fomos recebidos e permanecemos nesta igreja tendo esse casal como responsáveis por isso? Quantos de nós não ouvíamos deles o primeiro bom dia e o último boa noite? Ah Zé, você faz tanta falta...

Mesmo que o tempo de morrer tenha chegado, nos lembraremos com zelo do tempo que você viveu conosco. Seu humor, o riso sempre presente nos encontros, a perspicácia nas entrelinhas de suas falas, o temor e cuidado que você demonstrou com as coisas do Senhor, tudo isso será lembrado com muito carinho por nós.

A presença de Jesus já é uma realidade pra você. Isso são gotas de refrigério em tempos de aridez que afagam a nossa dor e nos faz lembrar que em Jesus temos uma nova vida, eterna, que nos aguarda.

O culto de ações de graças por sua vida foi muito bonito. O coro cantou com tanta unção do Espírito Santo que fomos tomados por verdades bíblicas tão confortadoras. A igreja estava repleta, não cabia mais ninguém. Vieram os parentes de longe e os de perto, os amigos do casal e dos filhos. Os irmãos da igreja vieram em peso. Tudo isso para homenagear um servo fiel e louvar a Deus por sua vida.

Querida família Camargo Martins, continuamos desfrutando do tempo de viver e enquanto esse tempo não se findar aqui é o lugar de vocês, junto conosco que os amamos e estaremos prontos para sermos instrumentos de Deus no cuidado mútuo. Rogamos que o Espírito Santo continue confortando e abençoando vocês.

Rev. Gustavo Bacha

domingo, 3 de março de 2019

IRON MAN

ANO LXXVI - Domingo, 03 de março de 2019 - Nº 3827

Iron Man

A vida com Jesus se parece muito mais com um Iron Man do que com uma corrida de 100 metros. Por isso, paradas são importantes para avaliar onde se quer chegar. Diante disso, acho que vale a pena refletir sobre Hebreus 12, um texto que fala de algumas pessoas que já terminaram esse Iron Man e estão “torcendo” por nós.

Pensando nestes versos vejo algumas orientações. Primeiro, livre-se dos pesos desnecessários: “livremo-nos de tudo o que nos atrapalha”, pesos desnecessários não significam que sejam coisas imorais, talvez sejam coisas lícitas que mereciam atenção da sua parte, mas que ao longo da vida se tornaram peso para sua alma, impeditivos para seu relacionamento com Deus. Por exemplo, alguns relacionamentos de amizades em que você não foi capaz de ser luz para essas pessoas e acabou sendo influenciado por elas, deixando assim que os seus projetos em relação a Deus fossem minados. Diante de uma situação dessa, faça um recuo estratégico, se afaste e invista em seu relacionamento com Deus para depois ser bênção para quem está ao seu redor. Esse foi apenas um exemplo, existem outros, como o peso da falta de perdão, o peso dos sonhos que se tornaram obsessão, entre tantos outros pesos que podem nos envolver.

Uma segunda orientação é para vivermos uma vida em santidade, livrar-nos “do pecado que nos envolve”. E isso não tem a ver com perfeição, só um é perfeito, Deus. Isso tem a ver com santidade, e santos, não são aqueles que jamais erram, mas aqueles que lutam para não errar. Aqueles que querem agradar a Deus, mas de vez em quando tropeçam e quando isso acontece eles caem, e de joelho, pedem perdão e continuam o “Iron Man”, sabendo que foram separados para glorificar a Deus.

Por fim, a terceira orientação que temos é para não tirar os olhos de Jesus, “tendo os olhos fitos em Jesus”. Ou seja, colocar Nele toda confiança de que somos amados e aceitos por Deus, não por aquilo que somos ou fazemos, pois Jesus pagou na cruz a dívida que tínhamos com Deus. Tem gente que começa o “Iron Man” olhando pra Jesus, mas no decorrer do percurso desvia a direção do olhar. Não tire os olhos de Jesus! Faça Dele a sua fonte de vida da qual recebemos capacitação, mas também lembre-se que Jesus é fonte de motivação. Aquele que suportou toda dor e toda vergonha está assentado ao lado de Deus dizendo “Tenham bom ânimo”.

Deus é gracioso. Ele não muda. Por isso, livre-se dos pesos desnecessários, viva em santidade e mantenha os olhos fixos em Jesus, para que Ele seja a nossa direção por toda a vida.

Pr. Gustavo Bacha

domingo, 24 de fevereiro de 2019

SEJA FEITA A SUA VONTADE

ANO LXXVI - Domingo, 24 de fevereiro de 2019 - Nº 3826

Seja feita a sua vontade

Ninguém, absolutamente ninguém, gosta de ser contrariado. Isso é um princípio universal. Ter nossas vontades realizadas produz um sentimento de bem estar que pode ter várias fontes. Esse sentimento pode vir do poder de convencimento, da autoridade, da manipulação, do poder aquisitivo, das influências boas e más, enfim, as matrizes são muitas. O que não gostamos é da contrariedade.

Esses embates surgem em todas as idades da vida. Quando crianças aprendemos que muitas vezes podemos usar o choro, nem sempre acompanhado de lágrimas, para conseguir o que queremos. Quando adolescentes, usamos birra. Quando jovens, a arma da vez é a chantagem. Já adultos, usamos a manipulação ou a maledicência. E quando idosos, a paciência. Tudo isso para que seja feita a minha vontade.

Jesus, quando nos fala sobre a oração, nos ensina que devemos dizer “Faça-se a Tua vontade” (Mt 6.10). Essa expressão é altamente subversiva, pois ela nos coloca numa posição de submissão, diante de Deus. A única forma de encontrarmos contentamento nessa posição é exercendo confiança. Nossa afeição não é à submissão, mas à nossa vontade. Por isso, a oração de Jesus ao Pai, que submete nossa vontade à dEle, pode ser tão perturbadora e desconfortante. Afinal, como confiar se eu não sei o que vai acontecer? Como confiar sem que eu tenha “provas” de que o melhor vai acontecer? Como confiar sem que a insegurança, ansiedade, desconfiança e a incerteza assumam o controle dos meus sentimentos?

Para nos ajudar com estas questões precisamos ler o restante do verso que diz “assim na terra como no céu” (Mt 6.10). Essa afirmação de Jesus revela que Deus deseja fazer na terra, o que ele tem feito no céu. O céu é o modelo do Reino que deve ser estabelecido na terra e em nós. Na terra, somente Jesus obedeceu a Deus com plenitude. No céu, os anjos, em santidade, são o modelo que Deus deseja para a obediência dos homens.

O modelo está no céu, nosso alvo é o céu. Não é de se admirar que Jesus Cristo tenha incluído nessa oração a submissão, a obediência e o contentamento com a vontade de Deus para as nossas vidas, pois submeter a Ele é entregar o controle que nunca deveria ter sido nosso ao Criador. Afinal, Ele sabe o que é bom para todos nós.

Pr. Gustavo Bacha

domingo, 17 de fevereiro de 2019

QUAL É O NOSSO NEGÓCIO? (II)

ANO LXXVI - Domingo, 17 de fevereiro de 2019 - Nº 3825

Qual é o nosso negócio? (II)

No último artigo publicado semana passada (10/02/2019), eu comentei sobre qual seria o “nosso negócio”, me referindo a nossa missão. O que como discípulos e discípulas de Jesus, nós temos que fazer para sermos igreja em missão? E com base no texto de Mateus 28, vimos que o nosso negócio, a nossa missão, tem a ver com gente.

Hoje, continuamos o verso 19 “Fazei discípulos de todas as nações.” Esse mandamento, que possui uma construção verbal (fazei), que em nossa língua não permite uma tradução mais adequada, é o aoristo. Esse verbo não está condicionado a um tempo específico, passado, presente ou futuro, ele tem uma ação puntiforme, que poderia ser traduzido como “indo” uma ação contínua, ontem, hoje e amanhã. Ou seja, o processo de fazer discípulos não tem fim.

Por isso, a segunda característica do “nosso negócio”, é promover fidelidade a Jesus e não a nós. Fazer discípulos de todas as nações, não quer dizer que eles se submeterão a nós ou ao nosso sistema religiosos, mas a Jesus Cristo. É inaceitável lideranças cristãs, que subjugam seus liderados, ofuscando o mandamento e os aprisionando em um sistema de crenças que gira em torno de suas vontades.

A terceira característica do “nosso negócio” é a comunicação da Palavra de Deus: “ensinando-os a guardar todas as coisas que vos tenho ordenado” (v.20). Ensinar a guardar as coisas que Jesus tem ordenado, isso é comunicação, que exige inteligibilidade, que é um dos princípios elementares do processo de comunicar. O outro precisa entender aquilo que está sendo comunicado. Em um mundo tão conectado e integrado, onde o alcance das nossas ações on-line possui dimensões intercontinentais, fazer discípulos de todas as nações e ensiná-los a guardar os ensinos de Deus, está mais acessível do que nunca.

Hoje, nós transmitimos o culto on-line, alcançamos pessoas de todo o mundo, temos dominicalmente, mais de 30 pessoas assistindo os cultos ao vivo e centenas de pessoas participando do culto durante a semana. Olhar para esse tipo de ação é entender que isso tem a ver com o nosso negócio, com a nossa missão, com o mandamento de Jesus. Com isso desejamos que essas pessoas aprendam de Cristo e sejam discípulos(as) dele e não de nós ou do nosso sistema religioso e aprendam as palavras de Jesus.

Faça discípulos, presencialmente ou virtualmente. Não se limite aos seus vizinhos, influencie pessoas com os ensinamentos de Jesus. Use sua vida para cumprir a missão que o Senhor nos deu, fazendo isso nós estamos cumprindo o nosso “negócio”.

Pr. Gustavo Bacha

domingo, 10 de fevereiro de 2019

QUAL É O NOSSO NEGÓCIO? (I)

ANO LXXVI - Domingo, 10 de fevereiro de 2019 - Nº 3824

Qual é o nosso negócio? (I)

Saber o seu negócio, te ajuda a planejar, executar e desenvolver aquilo que você entendeu ser o mais importante e essencial para o cumprimento dessa missão. Isso pode ser aplicado em várias áreas da vida, como profissional, familiar, social, entre outras. Tudo vai depender de qual é o seu negócio. Como cristãos, nós temos um “negócio”? Bom, se pensar que esta palavra está sendo usada para definir aquilo que é a nossa missão, sim, nós temos um “negócio”, somos herdeiros de um projeto que passou por Deus antes de vir até nós, ou seja, o Pai olhou para aquilo e disse: É isso que eu quero que eles façam.

Como igreja, recebemos o legado de Jesus a cerca do nosso “negócio”, que foi registrado por Mateus no capítulo 28, versos 18-20, desse texto extraímos alguns aspectos daquilo que Jesus nos mandou fazer através de palavras e ações.

O primeiro mandamento de Jesus a cerca do nosso “negócio” nesse texto é o seguinte: “Fazei discípulos” v.19. Discípulos não nascem prontos, nem são formados de um dia para outro, não podem ser feitos a partir da impessoalidade ou descaso. O tempo de Jesus com os seus foi de 3 anos consecutivos, intensos e em período integral de dedicação para formá-los ao engajamento na missão. Lidar com gente é desafiador, envolve decepção, traição, conflitos, mas, como pastor eu posso dizer isso, poucas coisas são tão gratificantes, quando você consegue ver, a formação do caráter de Jesus nas pessoas, mudando sua forma de pensar e olhar o mundo, e também de se relacionar com ele.

Nada disso pode ser feito sem amor. Algumas pessoas dizem assim: “Pastor, eu amo os africanos, eu amo os chineses, eu amo os indianos”, mas mora em São Paulo, não os conhece, não sente o cheiro das ruas, das casas, não sofreu a discriminação do olhar, não é chamado(a) pejorativamente de Kolomba (palavra africana que significa “Branco” se referindo a cor da pela no sentido pejorativo). Nada disso faz discípulos, o amor é fundamental, mas sem envolvimento físico ou virtual, ele se torna um adereço da fé, sem aplicação do cumprimento da missão.

Como igreja essa é a primeira característica do nosso negócio, fazer discípulos. Hoje temos tantos recursos a nossa disposição, que o discipulado pode acontecer fisicamente ou virtualmente, por isso, usar as tecnologias a nosso favor é entender as mudanças que acontecem no mundo e como Deus tem planos pra isso. Existem pessoas que são contra esse tipo de ação tecnológica, mas se esquecem que o maior discipulador do novo testamento, usou a tecnologia mais avançada do seu tempo para fazer discípulos. Sabe quem foi? O apóstolo Paulo, através de suas cartas.

Faça discípulos, presencialmente ou virtualmente, use sua vida para cumprir a missão que Jesus nos deu, fazendo isso nós estamos fazendo o nosso “negócio”.

Pr. Gustavo Bacha

domingo, 3 de fevereiro de 2019

MARIANA, BRUMADINHO E GEENA

ANO LXXVI - Domingo, 03 de fevereiro de 2019 - Nº 3823

MARIANA, BRUMADINHO E GEENA

Há pouco mais de 3 anos, o rompimento da barragem de Mariana (MG) causou a maior catástrofe ambiental do país, matando 19 pessoas, destruindo rios, florestas, matas ciliares, fauna e flora afetadas. O distrito de Gesteira, em Minas Gerais, foi completamente destruído, sumindo literalmente do mapa. O volume de rejeito de minério foi tanto, que tomou conta do Rio Doce, chegando até o litoral capixaba, que está a mais de 600Km de Mariana. Até hoje, o rio sofre com as consequências desse crime ambiental.

Na semana passada, rompeu a barragem em Brumadinho (MG), até hoje (30/01) somam 84 corpos localizados e 276 pessoas ainda permanecem desaparecidas. Os números de vítimas são impressionantes. Somando-se a eles, ainda há os desabrigados que provisoriamente perderam suas residências. Os impactos ambientais ainda são incalculáveis, pois a lama corre em direção aos rios de maior afluência, podendo atingir o São Francisco.

Essas duas catástrofes possuem um paralelo com a vida espiritual muito próximo. A Bíblia diz que o pecado afetou toda a criação (Rm 8.22) causando uma contaminação no propósito original de Deus para ela e também uma ruptura no relacionamento com Ele. O pecado causou destruição natural e morte. O rompimento das barragens de rejeito também, encheram belas paisagens, rios e matas, com rejeito de minério, uma lama, densa e espessa que contaminou a natureza e matou diversas pessoas.

O Salmista Davi, quando relembra o seu passado, diz as seguintes palavras “Tirou-me de um poço de perdição, de um tremedal de lama”, sua referência com essas palavras está em seus pecados. A situação de uma vida que nasce nesse mundo contaminado pelo pecado é essa, nasce na lama, cresce na lama e muitas vezes morre na lama. Essa sujeira não pode ser removida com um banho em água quente, ela só pode ser lavada pelo sangue de Jesus (1Jo 1.7).

Nós moradores de São Paulo, não seremos atingidos pela lama das barragens das cidades de Mariana e Brumadinho, “estamos em segurança” aqui. Contudo, a lama do pecado já nos atingiu e ela não se limitou as barreiras geográficas. Estamos soterrados até o pescoço, a única maneira de nos livrarmos é fazer como o Salmista:

"Esperei confiantemente pelo SENHOR; ele se inclinou para mim e me ouviu quando clamei por socorro. Tirou-me de um poço de perdição, de um tremedal de lama; colocou-me os pés sobre uma rocha e me firmou os passos." (Salmo 40.1,2). Jesus possui o sangue que pode nos purificar do pecado e Ele é a Rocha que nos dá segurança e vida eterna. Ah, o Geena. Ele é o lugar de todos que morrem soterrados na lama do pecado e que não foram lavados em Cristo, o Senhor.

Pr. Gustavo Bacha

domingo, 27 de janeiro de 2019

EXPECTIVAS

ANO LXXVI - Domingo, 27 de janeiro de 2019 - Nº 3822

EXPECTIVAS

Expectativas são complicadas. Elas podem surpreender ou, como na maioria das vezes, decepcionar e isso acontece por vários motivos. Primeiro porque aquele que a cria pode tê-la elevado a um nível que jamais será alcançado, trazendo assim a decepção. Segundo, porque aquele que expecta também possui uma visão particular da realidade, podendo em determinado momento estar muito equivocado sobre sua esperança. Por isso, as expectativas sobre o diaconato precisam ser expostas por Aquele que conhece as limitações humanas e pode com realidade, defini-las.

Hoje, iniciaremos em nossa igreja um processo para eleger 5 diáconos e até o dia 10/02 estamos recebendo as indicações para concorrer ao cargo. A eleição acontecerá no dia 24/02. Muitas são as expectativas, mas quais de fato devem ser nutridas?

Segundo o Apóstolo Paulo, as expectativas sobre os diáconos são as seguintes: “quanto a diáconos, é necessário que sejam respeitáveis, de uma só palavra, não inclinados a muito vinho, não cobiçosos de sórdida ganância, conservando o mistério da fé com a consciência limpa. Também sejam estes primeiramente experimentados; e, se se mostrarem irrepreensíveis, exerçam o diaconato... O diácono seja marido de uma só mulher e governe bem seus filhos e a própria casa.” (1 Tm 3.9-10; 12-13)

Esse é o parâmetro de avaliação e das expectativas que devem ser analisadas. Portanto, não cabe propaganda política, não cabe manipulação, não cabe falsas expectativas baseadas em interesses pessoais. Cabe a oração e a avaliação segundo o que está registrado nas Escrituras, pois assim clamamos para que Deus ilumine a cada um de nós, para elegermos homens que estejam alinhados com essas qualificações para servirem a Deus em nossa igreja local, de tal maneira que Ele seja glorificado.

Fazendo isso, o texto garante aos diáconos uma bela promessa “Pois os que desempenharem bem o diaconato alcançam para si mesmos justa preeminência e muita intrepidez na fé em Cristo Jesus.” (1 Tm 3.13)

Pr. Gustavo Bacha

domingo, 20 de janeiro de 2019

CONDENAÇÃO

ANO LXXVI - Domingo, 20 de janeiro de 2019 - Nº 3821

CONDENAÇÃO

No primeiro dia da semana passada, foi anunciada a prisão de Cesare Battisti. Ele foi condenado pela morte de 4 pessoas, Antonio Santoro, Pierluigi Torregiani, Lino Sabbadin e Andrea Campagna. Esses assassinatos aconteceram quando ele integrava um grupo chamado “Proletários Armados pelo Comunismo”. Em 1985, fugindo do julgamento na Itália, ele encontrou acolhimento na França, debaixo dos cuidados de François Mitterrand e sua Doutrina, que consistia em abrigar ex-guerrilheiros sob asilo político, desde que renunciassem ao terrorismo.

No ano de 2002, quando a Doutrina Mitterrand enfraqueceu, Battisti, com documentos falsos, chegou ao Brasil. Em 2007, ele foi preso no Rio de Janeiro e levado para o presídio da Papuda, em Brasília, para ser extraditado. Diante desse episódio, o então Ministro da Justiça, Tarso Genro, concede ao condenado o status de refugiado político, que foi desfrutado até dezembro de 2018, quando ele fugiu para a Bolívia e foi preso no domingo passado (06/01).

Enquanto isso, o julgamento de Battisti acontecia na Itália. Ele por não comparecer as audiências foi julgado a revelia, sendo condenado a duas prisões perpétuas (não sei como isso pode acontecer) com restrição de luz solar.

Condenação, esse termo dá calafrios! Sabemos que diante de Deus todos nós somos culpados. A Bíblia afirma que “Horrível coisa é cair nas mãos do Deus vivo” (Hb. 10.31). Se achamos que a condenação de Battisti foi dura, passar o resto dos dias preso com restrição de luz solar, a condenação da alma é ainda pior. Ela não cessará com a morte, mas iniciará com ela. Esse é o caminho natural de todo ser humano, receber a condenação dos seus pecados, pois eles ferem o caráter Santo de Deus.

Felizmente, essa notícia não termina assim. Existe uma outra possibilidade, que foi dada pelo próprio Deus, revelando outra dimensão do seu caráter, a Graça. Por isso, também, a Bíblia afirma “Agora, pois, já nenhuma condenação há para os que estão em Cristo Jesus.” – Rm 8.1. A única maneira de escapar das consequências do pecado é estar em Cristo, pois Ele se colocou a nosso favor diante de Deus e recebeu a condenação em nosso lugar, não só nos livrando do inferno, mas nos levando até o céu.

Essa graça não é condicionada pelas nossas atitudes, senão seria merecimento. Ela está além de nós e acessível a todos que confessarem a Jesus como Senhor e Salvador de sua vida. Até mesmo para uma pessoa que recebeu a pena de duas prisões perpétuas.

Está impressionado com a condenação de Cesare Battisti? Fique ainda mais impressionado com a Graça que pode te livrar da condenação eterna.

Pr. Gustavo Bacha

domingo, 6 de janeiro de 2019

EM QUE DIREÇÃO VOCÊ QUER ANDAR EM 2019?

ANO LXXVI - Domingo, 06 de janeiro de 2019 - Nº 3819

Em que direção você quer andar em 2019?

Estamos começando um novo ano e juntamente com ele um novo momento na história do país e também da IPVM. Momentos assim nos inundam de sentimentos, alguns fortes que nos impulsionam numa onda de otimismo quase inabalável, outros mais tímidos, quase depressivos, pelo sentimento da perda e do desconhecido. Nós somos assim, vivemos os altos e baixos emocionais, indicando como um eletrocardiograma que estamos vivos e seguindo.

Contudo, no início deste ano eu pergunto novamente, em que direção você quer andar em 2019? Pode ser uma pergunta um pouco ilógica, uma vez que caminhamos sempre pra frente, mas à luz da escritura existem duas direções que podemos caminhar durante este ano e também ao longo de toda uma vida.

O livro do Profeta Jeremias diz assim no capítulo 7, verso 24 “Mas não deram ouvidos, em atenderam, porém andaram nos seus próprios conselhos e na dureza do seu coração maligno; andaram para trás e não para diante.”

Nestes dois sentidos que podemos caminhar, identificamos as causas que nos levam em cada uma dessas direções. Se você seguir os seus próprios conselhos, ou seja, ser autônomo, ser o autor de suas próprias leis, definir em si mesmo aquilo que é bom ou mal, certo ou errado, você acaba de constituir-se o próprio deus. Como se isso fosse insuficiente, ainda temos, além da razão por estabelecer os conselhos, o coração, que é a fonte das emoções, sendo classificado como duro e mal. Viver dessa maneira, dono da razão, sustentado por sentimentos malignos e irredutíveis, faz com que você caminhe numa única direção, para trás, um retrocesso de vida, que arrasta com você as pessoas ao seu redor.

Ao contrário desse caminho, a Bíblia nos orienta que ouvir ao Senhor e atender aos Seus conselhos, nos move em direção oposta a anterior. É importante salientar que as duas orientações não são excludentes, mas inclusivas. Eu devo não somente ouvir ao Senhor, ou seja, escutar aquilo que Ele tem para me dizer por meio da Sua Palavra, mas preciso também atender, que é um movimento em resposta ao ouvir. Atender significa fazer com que os conselhos que foram ditos encontrem espaço para serem vivenciados e praticados no meu dia a dia.

Diante disso, por Sua graça, convido você a caminharmos juntos nos conselhos preciosos de Jesus, sabendo que, por meio do seu Espírito, Ele faz com que a Sua Igreja seja viva, alegre, bíblica, terapêutica, andando pra frente, na carreira que nos foi proposta, para a glória do Seu nome.

Pr. Gustavo Bacha

domingo, 16 de dezembro de 2018

CRIAÇÃO, QUEDA E REDENÇÃO

ANO LXXVI - Domingo, 16 de dezembro de 2018 - Nº 3816

CRIAÇÃO, QUEDA E REDENÇÃO

Esta semana três manchetes marcaram os noticiários do nosso país. As acusações de 206 mulheres (até agora), de abuso sexual feito por um guru espiritual, o assassinato de cinco pessoas dentro da Catedral Metropolitana de Campinas, ferindo mais quatro pessoas e culminando com o suicídio do atirador e por fim, um acidente que aconteceu em Belo Horizonte, um idoso passou mal dirigindo seu veículo, que capotou, ele ficou preso nas ferragens e foi retirado por moradores de rua, logo após roubaram seu celular.

Esses casos, revelam a natureza humana e a nossa necessidade de um redentor. João, era chamado “de deus”, ajudava pessoas, promovia esperança, prometia cura, mas que deus é esse que ele representa, pois o mesmo João causava dores, destruía a dignidade e feria o corpo e alma dessas mulheres.

Euler, o assassino, trabalhava no Ministério Público, era auxiliar de promotoria. O MP é o órgão do estado que é responsável pelos interesses da sociedade. Quanta discrepância, aquele que estava sob a responsabilidade de defender a sociedade, saca uma de suas armas e finda com a vida de cinco pessoas, que estavam participando de uma celebração cúltica ao Senhor.

Os moradores de rua poderiam ter se tornados conhecidos por salvar a vida de um homem, mas as manchetes que estamparam os jornais não foram por seus atos de bondade, mas marcados pela queda na natureza humana. Após o acidente, roubaram o celular do senhor de 73 anos de idade.

Os seres humanos receberam a imagem e semelhança de Deus em si, essa herança nos foi dada e com a queda recebemos também o espólio do pecado. Nossas ações são mescladas por atos de bondade e vildade, não podemos nos deixar enganar com a esperança de que não precisamos de um redentor. Neste mês celebramos o nascimento daquele que perdoa os pecados e nos purifica de toda iniquidade. Temos um redentor, Jesus Cristo nosso Senhor.

Pr. Gustavo Bacha

domingo, 12 de agosto de 2018

O QUE UM PAI GOSTARIA DE GANHAR

ANO LXXVI - Domingo, 12 de agosto de 2018 - Nº 3798

O QUE UM PAI GOSTARIA DE GANHAR

Provérbios 4.1-4

O texto acima relata as lembranças do escritor de Provérbios a cerca da convivência com seu pai, no verso 4 ele diz assim: “então, ele me ensinava e me dizia: Retenha o teu coração as minhas palavras; guarda os meus mandamentos e vive.”

Você ouve ou ouvia os conselhos do seu pai? Eu sei que esta pergunta envolve uma série de possibilidades para encontrarmos a resposta sensata e bíblica. Uma vez que seu pai não seja cristão e possua uma visão do mundo diferente da orientada pela escritura, a resposta mais sensata seja “NÃO”, os conselhos dele a cerca de relacionamento com pessoas, trabalho e Deus não estão alinhados com a sabedoria da Escritura e você faz bem em priorizar os conselhos bíblicos aos conselhos contrários a escritura. Contudo o pressuposto aqui é o de Salomão, que possui um pai temente a Deus. Neste caso o que um pai, que é discípulo de Jesus, gostaria de ganhar?

Ver seus conselhos encontrarem espaço no coração de seus filhos. Isso definitivamente é o melhor presente que você pode dar a ele. De que maneira posso fazer isso?

Primeiro, retenha as palavras no seu coração. O coração é um espaço muito disputado em todas as fases do desenvolvimento humano, na infância por desenhos e presentes, na adolescência por descobertas e prazeres, na fase adulta por aceitação e realização. Ouça com atenção os conselhos dos seus pais, o quanto antes isso acontecer, maior lugar de destaque ele terá em seu coração e na sua vida.

Segundo, guarde os mandamentos. A palavra hebraica usada para guardar é Shamar, ela indica o sentido de proteger, manter vigilância. Ao longo da sua vida, não se esqueça das coisas que você ouviu, daquilo que você reteve. Com o passar do tempo não negocie os valores de Jesus que você foi ensinado. Seja um influenciador real ou digital dos ensinamentos que o transformaram num discípulo ou discípula de Cristo.

Por fim, vivam os conselhos. O que muda a história de pessoas não são informações, são atitudes. Tudo que você ouviu, tudo que você guardou, precisa ser vivenciado. Conhecer e praticar estão relacionados à prudência e sabedoria na Escritura. As palavras de Jesus refletem isso: “Aquele que tem meus mandamentos e os guarda, esse é o que me ama.” Jo 14.21.

Seu papai está vivo? Aproveite para desfrutar da sua presença e conselhos. Seu papai já partiu? Viva e dê aos seus filhos e amigos, o exemplo que você recebeu honrando-o. Isso é um bom presente para dar aos pais.

Rev. Gustavo Bacha

domingo, 11 de fevereiro de 2018

REV. PÉRCIO GOMES DE DEUS - DE NOME E DE FATO!

ANO LXXV - Domingo, 11 de fevereiro de 2018 - Nº 3772

REV. PÉRCIO GOMES DE DEUS - DE NOME E DE FATO!

Na semana passada (02/02/2018) o Senhor o levou, aliviou as dores da idade e o conduziu a presença Daquele a quem ele tinha servido por toda a sua vida. O Rev. Pércio não era de Deus somente no nome, durante toda a sua vida mostrou os frutos que apontavam a quem ele pertencia. Foi nosso Pastor por 59 anos e deixa um legado a ser seguido e admirado. Abaixo transcrevo algumas de suas palavras registradas no livro IPVM: Uma história de amor divino, escrito em 1992.

“Deus me deu a bênção de ter o título de Pastor Emérito após tantos anos de trabalho e a igreja desejou me conservar. Eu me lembro quando comuniquei ao conselho que não iria mais concorrer à reeleição, por motivos de saúde, dois presbíteros me procuraram assustados, pensando que eu tivesse me amuado com a Igreja por algum motivo. Expliquei-lhes que o motivo era mesmo de saúde, que não me permitiria mais manter o mesmo ritmo e energia de que a Igreja tanto precisava, então eles me perguntaram se eu aceitaria o título de pastor emérito. A minha alegria foi incontida, pois eu jamais quis me desvincular desta Igreja. Eu tinha dado praticamente toda a minha vida ministerial à IPVM e sempre quis ficar aqui. Hoje reafirmo que eu só a deixarei quando Deus me levar deste mundo. Tenho um amor tão grande pela igreja como tenho pela minha casa. Tenho um amor tão grande por vocês como tenho pelos meus filhos. Tenho um amor tão grande pelas pessoas e por tudo o que está ali que se fosse necessário começar tudo de novo e fazer tudo novamente, eu faria com toda a disposição. Eu não posso ficar um domingo sem ir à igreja. Me faz bem estar ali, olhar para a igreja, sempre cheia, viva, ativa, dedicada ao Senhor”.

Saudade e gratidão, permeiam os sentimentos dessa partida. O dia do encontro com o Seu Redentor chegou, “Muito bem, servo bom e fiel; foste fiel no pouco, sobre o muito te colocarei; entra no gozo do seu Senhor”. Mt. 25.21

Querida Dorcas, filhos (Persinho, Péricles e João Alfredo) e familiares, obrigado por compartilharem conosco a vida desse homem de Deus, de nome e de fato!

Rev. Gustavo Bacha

domingo, 5 de novembro de 2017

O PROBLEMA DA INGENUIDADE

ANO LXXV - Domingo, 05 de novembro de 2017 - Nº 3758

O PROBLEMA DA INGENUIDADE

O simples dá crédito a toda palavra, mas o prudente atenta para os seus passos”. Pv 14.15

Simplicidade é algo muito bom, é uma resposta coerente e bíblica em nosso contexto consumista. Contudo a palavra simples no versículo acima é Pethi, que possui relação muito estreita com tolice, ingenuidade, falta de entendimento. O ingênuo pode ser gênio, mas se não estiver atento aos detalhes passa-se por tolo. É o exemplo do inventor da televisão, Philo T. Farnsworth, que nunca recebeu um centavo por sua criação, prometido pela empresa de eletrônicos que mais lucrou com sua criação.

Salomão chama de ingênuo aquele que não reflete sobre uma questão antes de escolher como agir. Abaixo estão algumas características que contaminam as decisões:

Simplificação: Decisões importantes nunca são simples, sempre existem fatores importantes e complexos que precisam ser levados em consideração.

Presunção: Tudo muda cada minuto e presumir que amanhã teremos as mesmas oportunidades de condições de hoje é uma associação de ingenuidade com tolice.

Pressa: Que inviabiliza o efeito do tempo em emoções voláteis e impulsivas.

Não seja ingênuo, a maioria das pessoas não entra de cabeça em uma situação antiética ou ilegal, geralmente são alertadas, e são corrompidas paulatinamente. Alguns até percebem os sinais de alerta, mas escolhem o erro como ir a uma festa, beber algo alcoólico e dirigir, ou usar drogas, ou trair o cônjuge, entre outras coisas.

Diante disso, não negue sua possível ingenuidade, busque conselhos, escolha seus amigos e parceiros com muita sabedoria, pois “Quem anda com os sábios será sábio, mas o companheiro dos insensatos se tornará mau.” Pv. 13.20

Rev. Gustavo Bacha

domingo, 6 de agosto de 2017

IMPERFEIÇÕES

ANO LXXV - Domingo, 06 de agosto de 2017 - Nº 3745

ImPerFeiçõeS

Erramos mais do que gostaríamos e mudamos menos do que desejamos. E de onde vem nossa imperfeição? Segundo a bíblia ela é parte do nosso DNA, embora esse termo obviamente não seja encontrado na Escritura. Fomos atingidos pelo pecado original, nossos pais nos deixaram essa herança. Nossas imperfeições são também assimiladas pelo exemplo daqueles que nos geraram. A própria sociedade também é um fator a ser considerado acerca da origem das nossas imperfeições, contudo, o melhor diagnóstico que podemos fazer é a insensibilidade ou inexistência de temor a Deus.

Alguns podem pensar então num determinismo trágico a nos acompanhar, chegando a questionar se, de fato, pessoas mudam e melhoram. Sem dúvida que sim, contudo isso não é natural em nós, por maior que seja o desejo de mudança, ela requer um processo, às vezes dolorido. A mudança também não acontece da noite para o dia, este processo também pode ser demorado. Agora, é fato que as mudanças jamais nos levarão a plenitude que só pode ser alcançada com a extinção da nossa natureza pecaminosa que está reservada ao nosso corpo glorificado.

Desta maneira, entendo ser prudente nessa luta a favor do nosso aperfeiçoamento, que o confronto com o nosso pecado é essencial e isso acontece através da consciência de Cristo em nós e principalmente através da sua palavra, como diz Hebreus 4.12.

Lidar com as nossas imperfeições requer uma intervenção divina e isso muitas vezes pode produzir sofrimento. Mas, o mesmo Deus que ama também pode permitir o sofrimento? Sim, conforme a Escritura, para o nosso bem e no tempo certo nos curará (Os 6.1-2). E estes eventos podem produzir em nós grandes mudanças, para nos aperfeiçoar e nos conduzir a plena estatura.

Lidar com imperfeições também requer uma resposta humana, por exemplo, abrir mão de algumas coisas que insistimos sustentar para mascarar quem somos diante da sociedade. Deus não se encontra com seus títulos, com sua conta bancária, com seu tempo de convertido, com seu ativismo, Ele se encontra com seus filhos(as) a quem conhece plenamente para se relacionar.

Esse é um grande desafio, sermos santos, como ele é Santo. (1Pe 1.16)

Rev. Gustavo Bacha

domingo, 18 de junho de 2017

CONHECER, CONFIAR E ENTENDER

ANO LXXV - Domingo, 18 de junho de 2017 - Nº 3738

CONHECER, CONFIAR E ENTENDER

Os três verbos que intitulam esse artigo podem ter estreita relação com preceitos teológicos independentes, contudo menor relação, se pensarmos em conjunto teológico. Tentarei exemplificar o que estou dizendo. Você pode conhecer a Deus, mas ao mesmo tempo não confiar e não entender, você também pode conhecer e confiar, mas não necessariamente entender o que ele está fazendo. Essas conexões estão presentes em diversos momentos da Escritura, principalmente na relação: Conhecimento, Confiança e não entendimento. O teólogo Christopher Wright disse que “conhecer e confiar (em Deus) não tem necessariamente a ver com entende-lo.”

Abraão não entendeu a necessidade da destruição das cidades de Sodoma e de Gomorra: “Não agirá com justiça o Juiz de toda a terra? ” (Gn 18.25)

Moisés não entendeu a decisão de Deus em negar-lhe a entrada na terra prometida: “Deixa-me atravessar, eu te suplico, e ver a boa terra...” (Dt 3.25)

Noemi não entendeu porque Deus permitiu a morte de seu marido e de dois filhos: “O Senhor colocou-se contra mim. O Todo poderoso me trouxe desgraça”. (Rt 1.21)

Davi não entendeu a insistência de Deus em abençoa-lo: “Quem sou eu, ó soberano, Senhor, e o que é a minha família, para que me trouxesses a esse ponto? (2Sm 7.18)

Homens e mulheres que viveram com conhecimento, confiança, mas sem muito entendimento dos movimentos e ações de Deus em sua vida. O que isso nos ensina? 

Se eu conheço a Deus e confio no Senhor, eu sei que os caminhos que ele tem conduzido minha vida são fiáveis, mesmo que eu não entenda. Eu sei que ele traça o melhor pra minha vida, mesmo que eu não entenda. Eu sei que tudo coopera para o meu bem, mesmo que eu não entenda. Eu sei que pelo caráter do Senhor, os caminhos levarão a bom termo, mesmo que eu não entenda. 

Lembre-se do Salmo 73 e de como os pés do salmista quase vacilaram, mas no verso 23 ele recobre sua consciência de que Deus o sustenta, no verso 24, que Deus o conduz e o recompensará, no verso 26, que quando ele fraquejar, Deus é fiel. 

Caso não esteja entendendo os planos de Deus para determinadas áreas de sua vida, lembre-se de que por isso já passaram muitas outras pessoas na história. Em meio a sua incompreensão tome os devidos cuidados para não sufocar a fé de gente mais imatura que você e trate suas dores aos pés da Cruz e suas dúvidas à luz da Palavra. 

Rev. Gustavo Bacha

domingo, 11 de junho de 2017

A DIFERENÇA ENTRE CLIENTES E DISCÍPULOS

ANO LXXV - Domingo, 11 de junho de 2017 - Nº 3737

A DIFERENÇA ENTRE CLIENTES E DISCÍPULOS

Durante o ministério público de Jesus ele atraiu muitos seguidores, pessoas de perto e de longe. Uns observavam quem ele era e outros o que ele tinha a oferecer. Essa mentalidade ainda está presente, talvez, mais viva do que antes. Esse tipo de interesse por Jesus define claramente, se somos clientes ou discípulos de Cristo.

Clientes se ofendem quando são confrontados pelas palavras duras de Cristo, porque não receberam o que queriam, porque não entenderam o sentido e a dureza das palavras, interpretando como algo desnecessário à sua vida, aplicável a outros, não a eles. Se ofende porque neste cenário, o cliente sempre deve ter razão e jamais entenderá que neste caso, não ter razão é predicativo de um coração humilde de discípulo.

Clientes abandonam, porque seu relacionamento é com o produto, no caso a bênção, ou com a circunstância e no momento em que esse produto não atende mais, deixam a igreja, liderança, ministérios ou qualquer outra coisa, em busca de algo melhor pra eles. Buscando insaciavelmente produtos ou circunstâncias mais atrativas, de preferência que não exijam contrapartida e que estejam de acordo com o gosto próprio deles. Discípulos estão ligados ao mestre, em toda e qualquer situação.

Clientes buscam exclusivamente a satisfação. Neste caso os interesses estão primeiro lugar, se fartam das bênçãos e de “barriga cheia” vão embora, fazendo das igrejas, mercados em que entram e saem sem qualquer pudor de fidelidade e laço. O compromisso é algo distante e a fidelidade é exclusivamente para si e seus desejos. Discípulos buscam sempre os interesses do mestre; agradá-lo e satisfazê-lo é um compromisso que nem sempre é um prazer, pois servi-lo, é mais importante do que se alegrar.

Em tempos de crescimento numérico expressivo no meio evangélico, é sempre razoável refletir sobre que tipo de cristão somos, ou estamos nos tornando.

A diferença entre cliente e discípulo afetará todas as outras áreas da nossa vida, tornando nosso testemunho uma bênção ou um desastre.

Rev. Gustavo Bacha

domingo, 4 de junho de 2017

CULTURA DA MERITOCRACIA X EVANGELHO

ANO LXXV - Domingo, 04 de junho de 2017 - Nº 3736

CULTURA DA MERITOCRACIA X EVANGELHO

A ideia de que o fim é mais importante que o começo é uma afronta a nossa cultura meritocrática. Afinal de contas, fazer por merecer é a lei da justiça e nada é mais justo que receber o devido pagamento pelo seu trabalho ou ação. Por isso que notícias como a morte de alguns assassinos, estupradores, pedófilos e porque não dizer a prisão de corruptos, como deputados, senadores, presidentes, empresários ou “ex” qualquer um deles, provoca um sentimento de justiça.

Mas o que dizer de pessoas que se livram no fim da vida, depois de terem cometido as atitudes vergonhosas, terem vivido libertinamente e se veem livres do peso de suas atitudes. Eu sei que você deve estar pensando que isso é uma tremenda injustiça e que se dependesse de você isso jamais aconteceria, pois a bíblia cita o código de Hamurabi que diz “olho por olho, dente por dente”.

Esta semana foi noticiada a prisão e internação de Andreas Richthofen, irmão mais novo de Suzana Richthofen. Ele usuário de entorpecentes, formado em farmácia, doutor em química orgânica, ambos pela USP, e agora internado depois de um surto. Ela, assassina confessa dos pais, presa desde 2002, desfruta constantemente de indultos, inclusive no dia das mães, como ato de clemência do poder público e que dentro de alguns anos desfrutará da liberdade.

Não sabemos o fim da história desses dois, pois até agora tudo que conhecemos está revelado e estes são os fatos. Imagine agora, se de forma sincera, essa menina se torna alvo do evangelho, e o Espírito Santo do Senhor a alcança, trazendo arrependimento e abandono abandono dos pecados e da mesma forma a seu irmão, promovendo ali a restauração desses relacionamentos e vidas. Certamente alguns achariam isso um absurdo e uma tremenda injustiça. Mas isso é o que o Evangelho faz, ele busca os perdidos, os piores para mostrar ao mundo o poder que Ele possui.

Termino esse artigo, lembrando dos ladrões que foram crucificados com Jesus, dois desgraçados, condenados e sem esperança, até encontrarem o Evangelho e com sinceridade, arrependimento e salvação; um deles recebe as palavras de vida por parte de Jesus: “Em verdade te digo que hoje estarás comigo no paraíso”. Isso não é uma carta branca para viver libertinamente e depois se arrepender, isso é um alerta à nossa cultura meritocrática, dizendo–nos que a obra redentora de Jesus, pode salvar até o mais terrível pecador.

Rev. Gustavo Bacha

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ARQUIVO DE ARTIGOS E PUBLICAÇÕES DA IPVM

Este arquivo contém parte da memória da IGREJA PRESBITERIANA DE VILA MARIANA publicada ao longo de vários anos em capas de boletins, encartes e outros meios, aos poucos resgatados e acessível a todos através deste blog.

SUGESTÕES DO CANTINHO CULTURAL

  • LIVRO: GOTAS DE AMOR PARA A ALMA. AUTOR: Rev. Hernandes D. Lopes. ASSUNTO: mensagens diárias para edificar sua vida, consolar-lhe o coração, fortalecer-lhe a fé. Não são textos de autoajuda, mas falam do auxílio divino.
  • LIVRO: TOQUE O MUNDO POR MEIO DA ORAÇÃO. AUTOR: Wesley L. Duewel. EDITORA: Hagnos. ASSUNTO: este livro sugere planos passo a passo para elaborar listas de oração, organizar círculos de oração e retiros de oração para os cristãos que tem a incumbência de orar pela salvação e bênçãos das pessoas.
  • LIVRO: TODO FILHO PRECISA DE UMA MÃE QUE ORA. AUTORES: Janet K. Grant e Fem Nichols. EDITORA: Hagnos. ASSUNTO: Uma mãe que ora pode ter um impacto tremendo na vida de seus filhos, este livro mostra como envolver e apoiar sua família através da oração persistente e eficaz. Você aprenderá a perseverar em oração e a usar a Bíblia para guiá-la nesta tarefa.