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domingo, 30 de dezembro de 2018

REALIZAÇÕES

ANO LXXVI - Domingo, 30 de dezembro de 2018 - Nº 3818

REALIZAÇÕES

"Era Josué, porem, já idoso [...] e disse-Ihe o Senhor: [...] ainda muitíssima terra ficou para se possuir." (Josué 13:1)

Em meu exercício devocional pessoal, ao ler o texto acima transcrito, pus-me a pensar sobre alguns pontos: idade (já velho), comunhão divina (disse-Ihe o Senhor), realizações (muita terra conquistada) e, por fim, muitos projetos não concluídos (muita terra ficou para se possuir).

Aqueles que têm o privilegio de envelhecer e ou chegar a idade madura ou avançada podem compreender muito bem o sentido desse texto, no qual Josué expressa e faz refletir sua experiência. Desse modo vemos que envelhecer é um fato para o qual devemos nos preparar e só não acontecerá se morrermos antes. Normalmente as pessoas preferem envelhecer a morrer. É preciso que os jovens entendam que ficarão idosos, e o que parece distante e longínquo no dia de hoje, chegará a você muitíssimo breve. Outro aspecto para o qual devemos atentar é a manutenção da relação com o Senhor, ou seja, fazermos com que a comunhão com Deus seja permanente e frutífera, ouvindo a "voz" do Senhor, escutando-O por meio de sua Palavra, seja na juventude ou na velhice. Outro elemento em destaque é a percepção do privilégio que tivemos de alcançar muitas metas e colher muitas realizações. "Não fiz quase nada" pode ser a declaração envolta em certa frustração por parte daquele que está idoso. Mas, veja bem, você estruturou muita coisa, alcançou muitos objetivos, produziu muito. Muitas conquistas, "muita terra" foi, de fato, conquistada. Graças a Deus. Por fim, destaco um aspecto que julgo de suma importância: sempre haver muita terra que ficou para ser conquistada. Temos a impressão, ao olharmos certas pessoas, que elas agem, trabalham e vivem como se ao findar a existência terrena terão feito tudo e não haverá mais nada a ser realizado. Ficarão frustradas ao término da vida, pois ao olharem o quanto conquistaram, perceberão que muita terra ficou para se possuir. É impossível a qualquer um de nós conquistarmos tudo. Jesus nos ensina algo nesse sentido ao dizer: "que vale ao homem ganhar o mundo inteiro e perder sua alma?" (Mt.16:26). Mesmo que conseguisse conquistar tudo, teria perdido (deixado de conquistar) algo tão precioso, sua alma.

Você já conquistou muita coisa, ainda conquistará outras. Mantenha sua comunhão firme e íntima com o Senhor e tenha consciência de que, por mais conquistas já obtidas e a serem obtidas, sempre ficará "ainda muitíssima terra para se possuir".

Rv. Paulo Audebert Delage

domingo, 23 de dezembro de 2018

GRATIDÃO

ANO LXXVI - Domingo, 23 de dezembro de 2018 - Nº 3817

GRATIDÃO

Talvez seja esta a minha última mensagem de meditação e pastoral em nosso boletim dominical. Fiquei a pensar em sobre o que dizer e não tive outra direção senão a de expressar minha profunda GRATIDÃO.

Expresso-a a Deus, que me trouxe (eu não vim; fui trazido para a IPVM) para o pastorado desta grande e relevante igreja no contexto da IPB (cobiçada por muitos) e da qual pouco havia ouvido falar, na qual não conhecia ninguém (exceto PB. Hothir e Dr. Paulo Rangel, mas não sabia que eram membros aqui), que atravessava momento de dificuldade e instabilidade, tendo Ele me concedido a graça de pastorado abençoado e restaurador da paz, harmonia e diretriz bíblica e teológica de conformidade com nossos padrões de Fé Cristã e Reformada.

Expresso-a, também, ao conselho (da época e atual, bem como as composições verificadas ao longo do período) pelo apoio e cooperação ao ministério desenvolvido, com suporte e observações relativas a ajustes necessários ao bom andamento de todas as atividades desenvolvidas, bem como de posturas de orientação em relação a posicionamentos e atitudes de minha parte quanto ao modo de falar e portar.

Manifesto-a, ainda, aos meus colegas de ministério como pastores auxiliares (atuais e os que passaram) pelo respeito, acatamento e cooperação no ministério na IPVM sem rusgas ou embates, ciúmes ou detrações, fazendo com que a IPVM visse a boa vivência entre nós, fazendo-a refletir entre os seus membros.

Manifesto-a, ainda, aos funcionários que sempre dedicaram atenção e cuidado para comigo e minha família, atendendo as demandas e solicitações feitas, dispensando-me respeito, que, igualmente, de mim receberam.

Por fim, mas não em menor grau, registro meus agradecimentos aos membros da IPVM aos quais pastoreei, instrui e orientei na Palavra do Senhor e, por graça de Deus, com o meu exemplo os estimulei. A paciência demonstrada comigo e a compreensão em relação ao meu modo de ser. Nunca estive preocupado em ser simpático acima de ser fiel, o que desgostava a alguns (não muitos), mas a estes também agradeço.

Aos meus familiares (Alice e filhos) que me apoiaram nesta jornada, sofreram, por vezes, a ausência e privação de minha companhia, mas sempre me foram solidários e zelosos em seu cuidado para comigo.

Assim registrado, louvo a Deus por ter minha consciência do dever realizado, havendo “cumprido cabalmente o meu ministério” (2 Tm.4:5), não “dando ao adversário ocasião favorável de maledicência” (I Tm. 5:14), “aprovado e não tendo do que me envergonhar, manejando bem a Palavra da Verdade” (2 Tm.2:15). A Ele glória, honra e louvor para todo o sempre.

Rv. Paulo Audebert Delage

domingo, 9 de dezembro de 2018

MISSÃO VIDA

ANO LXXVI - Domingo, 09 de dezembro de 2018 - Nº 3815

MISSÃO VIDA

Receberemos, hoje à noite, o Rv. Wildo dos Anjos presidente da Missão Vida, que atua com recuperação, ‘ressocialização’ e engajamento profissional de ex-moradores de rua e dependentes químicos, com atuação em vários estados do Brasil e sede em Goiânia. A IPVM é uma pequena parceira na cooperação e manutenção desta obra da qual se vê breve relatório abaixo:

Fundada em 1983 a Missão Vida foi o primeiro e atualmente é o maior Centro de Recuperação de homens em situação de rua no Brasil. Assistindo, também, nas áreas da educação, saúde e cidadania, a crianças em situação de vulnerabilidade e risco social.

São 11 (onze) cidades em oito (8) estados nas cinco (5) regiões, contando com 824 leitos em núcleos dedicados à triagem, recuperação e reintegração de homens de rua.

Anápolis / GO - Reintegração: 48
Anápolis / GO - Triagem e recuperação: 40
Brasília / DF: 52
Camaçari / BA: 64
Cocalzinho / GO: 240
Governador Valadares / MG: 64
Grande Manaus / AM: 64
Grande Rio de Janeiro / RJ: 64
Londrina / PR: 40
Princesa Isabel / PB: 64
Rolândia / PR: 42
Uberlândia / MG: 40

Outros ministérios desenvolvidos pela Missão Vida: Sopa, Sabão e Salvação / Centro Educacional Vida (500 crianças) / Centro de Oração / Clínica Vida (Anápolis) / Seminário Vida (Anápolis) / Vila do pastor aposentado (Cocalzinho- GO).

Graças a Deus por tal ministério e que Ele alargue as fronteiras desta obra e que o sustento seja permanente para a glória DEle.

Rv. Paulo Audebert Delage

domingo, 2 de dezembro de 2018

IMPUNIDADE

ANO LXXVI - Domingo, 02 de dezembro de 2018 - Nº 3814

IMPUNIDADE

“Visto como se não executa logo a sentença sobre a má obra, o coração dos filhos dos homens está inteiramente disposto a praticar o mal” (Eclesiastes 8:11).

Por vezes ouvimos o comentário sobre o fato de haver necessidade de leis mais duras em nosso País no combate ao crime. De fato, há certa leniência em alguns casos e faz-se necessário o agravamento de pena. Mas, parece-me que o grande problema é o da não aplicação da pena como prevista e os chamados benefícios e progressões existentes em nossa legislação.

O escritor bíblico já falava sobre a não aplicação da pena (justiça ou cumprimento da sentença), levando à ideia de impunidade e, portanto, incentivo à transgressão das leis. Logo, não se trata de algo tão novo assim; sendo visto desde aqueles tempos como um mal social bastante grave, colocando em risco a harmonia, a paz e a ordem social.

No Brasil isso é flagrante. No indulto (veja bem) de Natal cerca de vinte condenados na “Lava Jato” poderão ser beneficiados, devido a “bom comportamento”. Outros criminosos (a palavra é esta) também serão postos em liberdade. Devedores de milhões à Previdência (por sonegação) poderão ser “perdoados” ou “liberados de multa e correções” em relação às dívidas. No Rio de Janeiro deputados presos e condenados ainda recebem seus salários, porque a Assembleia Legislativa não julgou o caso deles com relação à perda de mandato. Como não foram reeleitos não sofrerão sanção nesta esfera, mas receberam seus vencimentos sem redução durante todo este período. O mesmo se diga do operador de Sérgio Cabral que, por dois anos, mesmo condenado e preso, continuou recebendo por cargo público, sendo exonerado somente esta semana, tendo recebido quase dois milhões de reais.

Não é muito diferente em Brasília com deputado condenado e preso (embora possa sair de dia para trabalhar na Câmara dos Deputados) e exercendo seu mandato e votando sobre leis a serem aplicadas a todos nós (a ele também?). É tempo de mudar. A palavra do escritor bíblico continua atual e ressoando forte. Vamos dar ouvidos a ele ou deixar como está, pois, afinal, é tempo de Natal, vem o período de recesso, férias e logo depois o carnaval. Viva o Brasil. Misericórdia. Hora de mudar. Chega!!!

Rv. Paulo Audebert Delage

domingo, 25 de novembro de 2018

JUBILAÇÃO E EMERÊNCIA

ANO LXXVI - Domingo, 25 de novembro de 2018 - Nº 3813

JUBILAÇÃO E EMERÊNCIA

Estes dois títulos que podem ser conferidos ao pastor no âmbito da IPB, são previstos na constituição de nossa Igreja nos artigos 49 e seus parágrafos (jubilação) e artigo 44 e seu parágrafo único. Não é incomum que as pessoas (membros, oficiais e até pastores) se envolvam em alguma confusão em relação a estes dois institutos contemplados em nossa Lei Maior interna. Assim, será dado esclarecimento com relação a ambos, para melhor percepção do assunto.

Jubilação: Este título pode ser concedido por idade (70 anos), tempo de ministério (35 anos), enfermidade ou invalidez. Tal título envolve o presbitério onde o ministro está jurisdicionado, cabendo a este concílio propor a jubilação do pastor ao Supremo Concílio da IPB. Este, por sua vez, a efetivará de conformidade com a legislação vigente na Igreja. Portanto, trata-se de assunto entre pastor, presbitério e Supremo Concílio, sem participação da Igreja Local. A jubilação, hoje, não altera a condição do pastor, nem limita sua atividade ministerial. Trata-se de título honorífico.

Emerência: O título de emerência envolve a participação da igreja local que decide, em assembleia extraordinária, sobre a concessão (oferecimento) de tal título. Dois requisitos são postos para a concessão: pastorear por longo tempo àquela igreja (não diz quantos anos) e de modo satisfatório (avaliação do conselho e da igreja em relação ao trabalho do ministro). A emerência pode ser com ou sem remuneração, também por decisão da assembleia. A emerência precisa da aprovação do Presbitério onde o pastor e a Igreja estão jurisdicionados. O pastor emérito não tem parte na administração da Igreja da qual recebeu o título, podendo participar das reuniões do conselho daquela igreja QUANDO convidado (destaque meu). Poderá presidir qualquer conselho de igreja da IPB quando convidado, menos (destaque meu) o da igreja na qual recebeu o título. Poderá ser pastor titular, auxiliar ou evangelista em qualquer igreja local da IPB, menos (destaque meu) naquela da qual é pastor emérito. Poderá pregar sem restrição na igreja em que seja emérito, desde que convidado para tal. Assim, o pastor emérito de determinada igreja não pode ser pastor, de direito, da igreja que assim o homenageou.

O ministro poderá “acumular” os dois títulos sem problema algum ou prejuízo qualquer para o exercício de seu ministério, seja em igrejas locais ou concílios (presbitérios, sínodos e Supremo Concilio) da IPB.

Espero que com tais informações os irmãos e irmãs possam ter condição de melhor participar e votar na assembleia de hoje, que se destina oferecer o título de pastor emérito (sem remuneração) ao Rv. Paulo Audebert Delage após estes 12 anos de ministério na IPVM.

Rev. Paulo Audebert Delage

domingo, 18 de novembro de 2018

REPÚBLICA E BANDEIRA

ANO LXXVI - Domingo, 18 de novembro de 2018 - Nº 3812

REPÚBLICA E BANDEIRA

Em 15 de novembro de 1889 o Marechal Deodoro da Fonseca proclamava a República, ou seja, dava um golpe de Estado destituindo o Imperador Pedro II e instalando, no Brasil, uma nova forma de governo, a republicana. Sem levar em conta o fato da expulsão da família real em tempo recorde, em uma atitude humilhante, algumas medidas foram tomadas de imediato e que pareciam indicar mudanças radicais e alvissareiras, entre elas a separação entre Igreja (seja qual for) e Estado, o reconhecimento do casamento civil como válido, a extinção da “nobreza” e seus privilégios (embora viesse a criar outra classe com privilégios – a política), a possibilidade de eleições (ainda que com restrições aos que poderiam exercer tal privilégio). Assim, deixava-se de ter um Imperador para se ter um presidente. A “Res Publica” (coisa pública) agora não era mais de uma pessoa, ou de uma classe (nobres), mas do povo (público). Parece que a nova classe (política) entendeu que a “coisa é pública” e, já naqueles dias, começou a embolsar para si, uma vez que é pública e eu represento (“sou”) o povo.

Foi-se a “Velha República”, veio a “Nova”. Passou também esta e veio o “Governo Provisório”, seguido do “Estado Novo”. Após tal período voltamos à República e à democracia (cerca de 10 anos). Seguiu-se a ditadura militar com restrições às liberdades pessoais, mas a República permanecia. Em 1988 o Brasil volta a caminhar em uma democracia republicana, sendo a mesma até os dias atuais. Por todos os períodos apontados tem prevalecido a ideia de “coisa pública” não como “do povo, pelo povo e para o povo”, mas para alguma classe dominante (elite ou não) que, à custa do que “é do povo”, se locupleta, se beneficia e enriquece (independentemente de qual partido esteja no governo), concedendo ao povo algumas benesses pelas quais são aplaudidos, como se tal ato fosse grande benemerência deles para com o povo, e não como sendo o dever e obrigação legítimos de devolver ao povo (em forma de benefícios) o que, de fato, é do povo, ou seja, REPÚBLICA. Torna-se necessário mais que celebrar a proclamação da República, vivenciar o que ela seja, mas isso parece ainda não ter sido alcançado aqui em nossas terras brasileiras até os dias de hoje.

Dia 19 de novembro é o Dia da Bandeira. Mas, temos o que comemorar neste dia considerando o que se tem feito de nossa bandeira brasileira? Porém, não há problema; o importante é ser feriado e prolongado. “Pra frente Brasil”.

Rev. Paulo Audebert Delage

domingo, 11 de novembro de 2018

CONFIANÇA FRÁGIL

ANO LXXVI - Domingo, 11 de novembro de 2018 - Nº 3811

CONFIANÇA FRÁGIL

O ser humano parece ter uma necessidade de estabelecer algo em que confiar ou se apoiar para realização de suas expectativas e, assim, sentir-se seguro, tranquilo e confortável. Ocorre que nem sempre tais pontos de ancoragem e segurança são adequados ou apropriados, mostrando-se frágeis e vacilantes, gerando danos e males terríveis aos que neles se apoiam. O salmista adverte: “Não confieis em príncipes, nem nos filhos dos homens, em quem não há salvação. Sai-lhes o espírito e eles voltam ao pó; neste mesmo dia todos os seus desígnios se desfazem” (Salmo 146:3-4).

Escrevo isso pelo fato de me preocupar o que estou começando a ver em relação ao quadro político brasileiro neste período pós-eleitoral com o posicionamento de muitos em relação à figura do presidente eleito. Em um culto, em determinada Igreja Batista, ao entrar no templo algumas pessoas começaram a gritar “mito, mito, mito”. A palavra aqui não tem conotação de mentira, mas de algo fora do natural, excedente à realidade terrena. Isso é muito preocupante visto que a visão mitológica pode gerar a ideia messiânica, e as consequências de messianismos na história da humanidade e do Brasil são graves e profundas.

Colocar as esperanças em uma pessoa (ou sistema) é um equívoco grave e de trágicas consequências como afirmou o salmista no texto citado acima. Eles não são os salvadores e não têm salvação. Devem ser vistos como agentes (ou instrumentos) pelos quais a ação de Deus possa se manifestar trazendo livramento e salvação, mas não eles. Jair Bolsonaro não é “salvador da Pátria” como indivíduo que enfeixa nele toda a solução para as mazelas de nosso País. Ele não tem “varinha de condão”, nem é detentor da “pedra filosofal”, nem, tampouco possui “lâmpada mágica”. Vê-lo assim (mito) é repetir o erro de muitos no passado (distante e recente) de nosso Brasil, seja com Antônio Conselheiro, Getúlio Vargas, Juscelino, Jânio, Lula ou qualquer outro “mito” ou “messias”.

Devemos colocar a pessoa do presidente diante de Deus em oração, bem como dos demais que estão em exercício de autoridade (inclusive a oposição), para que possamos, mercê de Deus, experimentar dias de paz e melhoria na vida de todos nós, com menos corrupção, mais justiça social, educação, segurança e saúde. Sigamos os passos do salmista que nos ensina: “Uns confiam em carros, outros em cavalos; nós, porém, nos gloriaremos no Nome do Senhor nosso Deus. Eles se encurvam e caem; nós, porém, nos levantamos e nos mantemos de pé.” (Salmo 20: 7-8). Aleluia.

Rev. Paulo Audebert Delage

domingo, 4 de novembro de 2018

MÍDIA E TERRORISMO

ANO LXXVI - Domingo, 04 de novembro de 2018 - Nº 3810

MÍDIA E TERRORISMO

Não sou afeito às estruturas novas de mídia, ou seja, não faço parte de nenhum “grupo” no “facebook” ou qualquer outro meio ou canal de informação ou disseminação de notícias. Não digo que isso seja bom, apenas prefiro ter um pouco de isenção, sossego e paz. Mesmo em “whatsapp” ao receber certas “mensagens” de conteúdo não informativo (de fato) peço que parem de me enviar, pois além de “encher” meu aparelho celular de material sem sentido, me obriga a gastar meu tempo verificando se se trata de algo relevante, o que constato não ser.

Quando da eleição do Partido dos Trabalhadores o slogan “a esperança vence o medo” foi muito bem posta pelos que alcançaram a vitória naquele pleito, pois havia um clima (promovido pela direita) de medo e receio por uma onda de saques, invasões, fechamento de templos, etc. No entanto, vemos que vai sendo, agora, patrocinada por militantes deste partido a mesma coisa que combateram no passado, ou seja, a disseminação do temor ou medo com fala de ameaça à democracia, extermínio de minoria, pessoas se matando na rua e atirando umas nas outras, etc.

Nem a direita estava certa anteriormente e nem a esquerda está agora ao fomentar esse tipo de “informação”. O país tem, ainda, ordem e estrutura de governo para conter posturas e atitudes incompatíveis com os dispositivos de nossa Constituição e leis. Mesmo que indivíduos em nossas Cortes Maiores possam ter sua tendência ou inclinação, a instituição é maior que eles, o Congresso não é refém de uma pessoa e manterá sua atenção e vigilância para sustento das liberdades e direitos civis. Não vamos dar caso a “visões e revelações da parte de Deus”, ou de “profetas”, já enxergando “banho ou derramamento de sangue de nossos jovens”. Isso é terrorismo psicológico.

Cabe-nos orar ao Senhor, como determinado nas Escrituras, a favor dos que estão investidos de autoridade (deste ou daquele partido, com esta ou aquela ideologia) para que conduzam sua vida e realizem seu trabalho de modo a promover a verdade, justiça, paz, respeito e harmonia em nosso meio, e sermos, ao mesmo tempo, vigilantes críticos do Estado, para que este cumpra o papel para o qual Deus o estabeleceu. A recomendação bíblica é esta: “Examinai tudo e retende o que é bom”. (I Ts.5:21). Sem terrorismo ideológico de direita ou de esquerda.

Rev. Paulo Audebert Delage

domingo, 28 de outubro de 2018

POLARIZAÇÃO

ANO LXXVI - Domingo, 28 de outubro de 2018 - Nº 3809

POLARIZAÇÃO

O ambiente da política (para quem viveu e pastoreou no interior de Minas Gerais) sempre traz certo clima de tensão com a polarização de posições, gerando situação de conflitos entre irmãos, os quais assumem suas trincheiras com toda paixão e passam a execrar o “outro lado”, deixando de perceber as falhas (erros) de seu aliado ou partido, e não reconhecendo as virtudes do seu adversário. Muitas vezes ao passar de alguns anos as posições são alteradas e adversários se tornam correligionários unindo-se “contra” um “inimigo comum” e o ciclo se repete.

O momento político no Brasil (na corrida presidencial) tem elevado esse ambiente de polarização a altos riscos. Claro que já vivenciamos isso em outros tempos de nossa política nacional. Mas, a proximidade estabelecida pelas redes sociais e de informação, aumentando exponencialmente sua velocidade em transmitir e receber, faz com que as polaridades se tornem exacerbadas e o derrame de notícias tendenciosas ou não verdadeiras gere um clima de esfacelamento nas relações dentro da família e da Igreja.

Devemos e podemos ter nossas preferências, tendências, opiniões e posições políticas. No entanto, não é possível admitir o juízo discriminatório ou a rotulação indevida sobre aquele que pensa de modo divergente do meu. É preciso entender que a divergência de inclinação política não deve ser fator para determinar a sinceridade da fé cristã de alguém. A polarização fará com que eu sempre diga: “quem apoia “a” não é cristão”, ou “o seguidor do “b” não tem como ser cristão”. Isso se dá pelo fato de esquecermos o ensino de Jesus ao nos dizer: “Com a medida com que medirdes, sereis medidos” (Mateus 7: 2).

Estamos no dia decisivo quanto à escolha do presidente do Brasil. Espero que, independentemente do resultado (seja o que eu desejava ou não), haja respeito em relação ao outro, cujo candidato não tenha alcançado a vitória. Teremos, mesmo que seja difícil a nós, a responsabilidade e o compromisso de orar por aquele que vier a ser o condutor do Executivo em nosso país, bem como pelos demais que estão investidos de autoridade, como nos é determinado nas Escrituras; embora devamos, como Igreja, permanecer com independência, sendo a consciência do Estado e levantando a voz “contra Cesar” sempre que ele desejar assumir o que seja de Deus.

Rev. Paulo Delage

domingo, 14 de outubro de 2018

INVERSÕES

ANO LXXVI - Domingo, 14 de outubro de 2018 - Nº 3807

INVERSÕES

Nossos dias são bastante complicados e vemos uma inquietação em relação aos filhos (pais mais jovens) e quanto aos netos (os avós) com o que se tem visto em nosso meio social, a que tenho chamado de inversões. Nesse sentido recebi de uma de minhas filhas um texto atribuído ao Padre Gabriel Vila Verde, texto que transcreverei a seguir por expressar o sentimento da maioria dos cristãos no Brasil em relação a tais inversões:

“Vivemos numa época onde querem que os padres se casem e que os casados se divorciem. Querem que os héteros tenham relacionamentos líquidos e sem compromisso, mas que os gays se casem na Igreja. Que as mulheres tenham corpos masculinizados e se vistam como homens e assumam papéis masculinos. Querem que os homens se tornem ‘frágeis’ e delicados e com trejeitos, como se fossem mulheres. Uma criança com apenas cinco ou seis de vida já tem o direito de decidir se será homem ou mulher pelo resto da vida, mas um menor de dezoito anos não pode responder pelos seus crimes. Não há vagas para os doentes nos hospitais, mas há o incentivo e o patrocínio do SUS para quem quer fazer mudança de sexo. Há acompanhamento psicológico gratuito para quem deseja deixar a heterossexualidade e viver a homossexualidade, mas não existe nenhum apoio deste mesmo SUS para quem deseja sair da homossexualidade e viver a sua heterossexualidade e se o tentarem fazer, é crime. Ser a favor da família e religião é ditadura, mas urinar em cima dos crucifixos é liberdade de expressão. Isso é doença mental, uma esquizofrenia social, bem pior do que a síndrome que eu passei.”

O texto acima expressa muita verdade e parece bem próximo do que já ouvi outro padre (Fábio de Melo) falar sobre o assunto, no qual aponta as situações de inversões dentro do contexto em que estamos vivendo, onde “o certo é chamado errado, e o errado chamado certo”. Argumenta-se de que “certo e errado” depende apenas de sua posição ou modo de ver. No entanto, na maneira cristã de ver o mundo (cosmovisão), ou seja, na forma de se conceber as realidades circundantes a nós temos o referencial de nossos livros sagrados (Bíblia), pelos quais pautamos nosso viver e nossa conduta. Não podemos impor aos outros que façam o mesmo, mas temos o direito de nos opor aos que, de forma acintosa e desrespeitosa, são partidários da inversão posta em nosso meio, depreciando valores cristãos e tentando criminalizar os que querem propagá-los, mantê-los e vivenciá-los. Sendo o texto escrito ou não pelo Padre Fábio, minha posição, como pastor e cristão, é de concordância com o exposto, e minha postura será de combate a essa enxurrada de inversões que tem inundado nossa sociedade. É tempo de nos levantarmos e dizer: Basta.

Rev. Paulo Audebert Delage

domingo, 7 de outubro de 2018

DIA DAS CRIANÇAS E SEU PRESENTE

ANO LXXVI - Domingo, 07 de outubro de 2018 - Nº 3806

DIA DAS CRIANÇAS E SEU PRESENTE

Em 1924 o deputado federal Galdino do Vale Filho propôs a ideia da criação do Dia da Criança (já naquela época tínhamos políticos interessados na propositura de projetos de altíssima relevância social e de vital importância à vida da Nação) e o dia 12 de outubro foi oficializado pelo então presidente do Brasil Arthur Bernardes. Em 1940 o ditador presidente Getúlio Vargas mudaria o dia para 25 de março dando ênfase à proteção da maternidade, infância e adolescência. Nem aquela nem esta tiveram expressão. Em 1960 a “Estrela” e a “Johnson & Johnson” uniram-se para celebrar a “Semana do bebê robusto” e escolheram a antiga data de 12 de outubro para tal festividade. O sucesso comercial foi notório e, não muito depois, estabeleceu-se a “semana da criança” para incremento e incentivo de venda de brinquedos. É o que temos até hoje.

É tempo de dar presentes às crianças, movimentar o comércio de brinquedos, abarrotar a “25 de Março” e outros pontos e lojas de comércio popular e, também, as grandes lojas de departamentos e “shopping centers”. Tudo em nome da alegria das crianças.

É tempo de eleições no Brasil e a grande questão é esta: que país desejamos dar de presente às nossas crianças? Pode parecer sem sentido, e o que tem uma coisa com a outra? Mas, essa é a questão no momento. Minha decisão e sua decisão pelo voto determinarão os próximos anos de governo em nosso País. Vamos querer entregar às nossas crianças outra próspera “Venezuela Chavista ou Madurista”? Legaremos a elas a liberdade cubana onde se amordaça, prende e encarcera os que levantam a voz contra o regime “democrático” e livre da Ilha, como alguns enaltecem e elogiam?

Dê presentes aos seus filhinhos e netinhos (cuidado com a ideologia de gênero e não coloque o masculino apenas, pois isso é misoginia), veja a alegria deles em receber tais regalos e mimos, mas não se esqueça de dar-lhes sua presença significativa, seu tempo qualitativo e seu afeto genuíno, insubstituíveis por presentes. Mas, sobretudo, pense muito em que legado deixará às crianças dessa nossa Pátria Amada: “As praças das cidades se encherão de meninos e meninas, que nelas brincarão” (Zacarias 8:5) ou “Com lágrimas se consumiram os meus olhos, turbada está minha alma, o meu coração se derramou de angústia por causa da calamidade da filha do meu povo; pois desfalecem os meninos e as crianças de peito pelas ruas da cidade.” (Lamentações 2:11). Feliz Dia das Crianças.

Rev. Paulo Audebert Delage

domingo, 30 de setembro de 2018

COERÊNCIA

ANO LXXVI - Domingo, 30 de setembro de 2018 - Nº 3805

COERÊNCIA

O tema hoje é eleição e política e o abordarei de forma bem direta e simples, sob a ótica de nosso envolvimento na oração e na coerência ao darmos nosso voto.

Você ora para que o Brasil tenha liberdade religiosa e outros países (de regimes comunistas) também a tenham, mas tem a intenção de dar seu voto a partido alinhado com comunismo e candidatos comunistas que restringem tal liberdade?

Você ora pela família a fim de que tenha e mantenha os padrões e moldes da tradição cristã, mas vai votar em partido ou candidato alinhado com a destruição de tais valores e que patrocina a quebra de tais padrões com apoio a entidades destruidoras de tais valores?

Você ora pela vida e o fim da violência, no entanto votará em partido ou candidato que apoia a legalização do aborto em qualquer situação desejada pela paciente?

Você ora pela paz e diminuição da violência, mas dará seu voto a partido ou candidato que privilegia o bandido com leis mais frouxas, benevolentes e lenientes?

Você ora para desenvolver suas possibilidades e habilidades e alcançar melhoria em suas condições de vida, mas dará seu voto a partido ou candidato que propõe invasão de propriedade e desconsidera seu direito à propriedade?

Você ora pelo combate e banimento da corrupção de nosso meio político e social, mas votará em partido e ou candidato envolvido em escândalo financeiro comprovado e que foi processado, condenado e cassado, ou sofreu impedimento?

Você ora para que os valores e padrões cristãos sejam mantidos em nossa sociedade, porém votará em partido ou candidato que preconiza, incentiva ou estabelece a chamada “ideologia de gênero” dando às crianças cartilhas com tal ensino nas escolas públicas; a descriminalização das drogas entre outras propostas?

Você ora com instância por renovação na política, por não tolerar mais esses indivíduos que vivem tais quais parasitas da sociedade no universo político como profissionais e perpetuadores de seus “feudos” por seus descendentes, no entanto, votará nesta “velharia” e velhacaria outra vez, reconduzindo muitos que têm sistematicamente dilapidado a coisa pública e se locupletado com dinheiro de corrupção e abrigam-se no “foro privilegiado”?

Caso seja essa a sua condição ou situação exorto você a que seja coerente, parando de orar desse modo (o que é claro não deve acontecer), OU VOTANDO EM PARTIDO E CANDIDATO QUE SE ALINHE COM O MODO CRISTÃO, BÍBLICO E CORRETO DE ORAR. Seja coerente. Ore certo. Vote certo.

Rev. Paulo Audebert Delage

domingo, 23 de setembro de 2018

SORTILÉGIOS BRASILEIROS

ANO LXXVI - Domingo, 23 de setembro de 2018 - Nº 3804

SORTILÉGIOS BRASILEIROS

A palavra “sortilégio” tem significado amplo podendo ir desde a magia, feitiçaria, encantamento, até sedução e fascínio, incluindo a ideia de algo que envolve a pessoa de tal modo que se torne “tomada ou possuída” de forma quase (ou mesmo) irresistível. Assim, pode-se referir aos sortilégios da feiticeira tanto no sentido de seus dotes de beleza quanto ao seu envolvimento com a magia.

Tomarei, neste texto, a palavra em seu sentido de sedução, ou capacidade de atrair e levar ao envolvimento sem medir consequências, ou desconhecendo as fronteiras da ética e da moral. No Brasil os sortilégios são muitos, mas o que mais nos tem chamado a atenção é o da corrupção envolvendo dinheiro e poder.

Em reportagem no último domingo sobre benefício do Governo para pessoas pobres, cuja renda familiar não ultrapasse a R$400,00, vimos alguns exemplos do sortilégio do dinheiro na vida de brasileiros. Este benefício concedido pelo Estado tem sido desviado por pessoas inescrupulosas, gerando prejuízo que alcança a casa dos bilhões no último ano. O valor a ser pago é de R$945,00 para uma família, com declaração de pobreza e demonstração da necessidade. No entanto, pessoas com apartamento no Leblon (sócio de shopping), casa em condomínio de luxo no litoral baiano, apartamento em Gramado (comprando outro imóvel por um milhão e meio de reais), moradora de condomínio de classe média em Miami (EUA); pessoas totalmente fora do perfil de direito ao recebimento do benefício, além de despachantes e funcionários do INSS (órgão responsável por tal pagamento), todos envolvidos. Quando entrevistadas nenhuma delas se constrangeu por tal fato, vendo como normal e justo. Recusando-se a sequer cogitar devolver a quantia recebida indevidamente, declarando que não devolve a corruptos (o que eles são?), ou alegando não ter condição econômica para devolver o que receberam. Trata-se do sortilégio do dinheiro, da sedução da riqueza, da avareza que é idolatria.

Oh miséria, oh desgraça, oh desdita. Esse não pode ser o País que queremos para nós, nossos filhos e descendentes. Que vergonha ao ouvir isso de pessoas instruídas (problema não é educação é caráter), pessoas ricas (problema não é pobreza é caráter) e pessoas com alto padrão de vida (problema não é falta de infraestrutura é falta de vergonha na cara). Pense se suas atitudes também não corroboram para a multiplicação da corrupção, falcatrua e canalhice em nosso País.

Que nossa sedução seja pelo Reino de Deus e seus valores, com compromisso de manifestar, a cada dia e em todos os meios e lugares, nosso caráter renascido em Cristo como novas criaturas para o louvor de Sua glória.

Rev. Paulo Audebert Delage

domingo, 9 de setembro de 2018

DESCASO

ANO LXXVI - Domingo, 09 de setembro de 2018 - Nº 3802

DESCASO

No último domingo vimos, com pesar, o incêndio de enormes proporções consumir grande parte do Museu Nacional no Rio de janeiro com seu acervo histórico, científico, etnográfico e sociológico. Uma perda considerável inestimável e irreparável devido à impossibilidade de se recompor ou reconstituir o que se perdeu em termos de fósseis, documentos, papéis, móveis, fotografias e outros objetos, além da própria estrutura do prédio. Felizmente não houve perda de vidas.

Alguns pontos nos chamam a atenção neste episódio lamentável e triste. Os bombeiros responderam imediatamente ao chamado, mas havia falta de água, gerando um atraso no combate em meia hora, representando uma perda imensa por causa de tal demora. Começava a mazela relativa à situação geradora de tão grandioso e vultoso prejuízo ao País. Não havia sistema adequado para combate a incêndio instalado no prédio. Não havia aspersores instalados que pudessem evitar a propagação do incêndio, repetindo o que vimos no Museu da Língua Portuguesa em São Paulo. As verbas votadas e destinadas à manutenção básica, não foram repassadas. Não seria possível fazê-lo, pois até os salários dos servidores públicos no Rio de Janeiro estavam (e estão atrasados), com famílias inteiras sem receber e vivendo de favores, e isso pelo fato de governantes (Cabral, familiares, asseclas e outros) haverem “quebrado” o Estado do Rio, assaltando vergonhosa e flagrantemente os cofres públicos, embora a ex-primeira dama esteja agora, podendo andar livre pelas ruas da cidade, a qual ela e seu marido ajudaram arruinar com sua volúpia por joias, dinheiro, ostentação e poder.

Esse é o quadro em muitos ambientes de nosso País: descaso. Vejam as estradas em péssimas condições (ou quase nenhuma) de tráfego; obras paradas (ferrovias, pontes, viadutos, edifícios) levando à dilapidação do dinheiro público; hospitais de assistência pública entregues ao abandono; escolas sem estrutura mínima de funcionamento, entre outras tantas mazelas expostas e escancaradas a mostrar a ineficiência e a desídia de políticos e agentes públicos de nosso Brasil. Esse descaso é algo que nos afeta e nos revolta. Nesta semana da Pátria é triste continuarmos a ver tais desgraças que se perpetuam por décadas e décadas em nossa Terra. Até quando?

Rev. Paulo Audebert Delage

domingo, 2 de setembro de 2018

PÁTRIA AMADA

ANO LXXVI - Domingo, 02 de setembro de 2018 - Nº 3801

PÁTRIA AMADA

Dia sete de setembro traz a nós a recordação de nossa Independência de Portugal em 1822, tornando o Brasil uma nação livre e independente, constituindo-se em Império com D. Pedro I.

Nosso Hino Nacional usa a expressão “Pátria amada” e, de fato, o é, embora estejamos (muitos de nós) frustrados devido ao que temos visto fazerem com ela. Há quem tenha reserva em cantar o nosso hino ao se dizer “idolatrada”, apontando para o fato de que se trata de atitude imprópria a um cristão que tem a Bíblia como sua única regra de fé e prática. Óbvio tratar-se de “licença poética” e não se deve “adorar” a Pátria como quiseram os nazistas, fazendo com que a Alemanha se tornasse o objeto maior de seu culto.

Deixados de lado tais pontos de discórdia, é tempo de pensarmos sobre nossa relação com esta Pátria na qual nascemos ou adotamos como nossa. Como cristãos que “papel” temos na construção de uma nação melhor, de uma Pátria mais sã e sadia?

As Escrituras cristãs nos orientam, primeiramente, a orar por nossa Pátria e as autoridades constituídas, afim de que “tenhamos vida tranquila e mansa” (I Tm. 2:2). Nossa oração intercessória é para que haja melhor condição de relacionamento social e equidade maior entre as pessoas, evitando a exploração, o crime e a injustiça. Temos, também, pelas Escrituras a responsabilidade de contestarmos (como cristãos e como Igreja) as autoridades caso não cumpram as suas obrigações para as quais foram colocadas nas posições que estão. Trata-se da “desobediência civil”, frente às posturas de descumprimento das obrigações de tais autoridades. É falsa a ideia de passividade por parte dos cristãos e ter sua “preocupação” apenas com o “celeste porvir”. Outra orientação das Escrituras é a de nossa conduta pessoal, ou seja, sermos, de fato, “sal da terra e luz do mundo”. Isso significa que o meu modo de agir determinará (como exemplo) o modelo adequado de relacionamentos e posturas. Trata-se da ética relacional, ou seja, caso as pessoas ajam como eu, quais os efeitos disso? Será que em escala menor não tenho tido a mesma postura que os corruptos que critico? Portanto, orar, criticar o erro e ter conduta ética de boas obras é o melhor modo pelo qual podemos celebrar o sete de setembro, o Dia da Pátria Amada; Brasil.

Rev. Paulo Audebert Delage

domingo, 26 de agosto de 2018

ANA (5)

ANO LXXVI - Domingo, 26 de agosto de 2018 - Nº 3800

ANA (5)

“Por esse menino orava eu; também o trago como devolvido ao Senhor” (I Sm.1:27-28)

Com estes textos finalizaremos nossas meditações sobre a figura de Ana neste registro do Livro de Samuel, após termos acompanhado seus passos e suas angústias, aflições, humilhações, submissão e busca da presença do Senhor, diante de Quem derramou sua alma sem reservas.

Duas atitudes vêm agora coroar a postura de Ana e reforçar sua figura como exemplo a todos nós.

A primeira é sua afirmativa em relação ao filho quanto a orar por ele. Claro que o contexto nos informa que “orar por ele” significava haver pedido a Deus pelo nascimento de Samuel. Mas, de forma ampla mostra que sua postura era de orar pelo menino. Nós assim devemos fazer com nossos filhos e filhas, ou seja, orar por eles no sentido de concebê-los, bem como orar por eles no aspecto de colocá-los diante do Senhor por meio da súplica e intercessão, a fim de que cresçam para a glória de Deus e na presença do Senhor.

A segunda atitude envolve o aspecto de “devolver” Samuel ao Senhor. Esse havia sido seu voto ao Senhor. Caso ela concebesse, haveria de entregar o filho para o Senhor e Sua Obra. Ela o fez. Envolve zelo no cumprimento do voto (promessa) feito ao Senhor, mesmo que isso lhe fosse dificultoso, pois se separaria de seu filho tão querido e esperado. No entanto, a noção de seu compromisso com o Senhor era maior que seu instinto maternal de amor. Outro aspecto envolvido é o sentido de entrega ao Senhor, sabendo que Ele haverá de cuidar e guardar aquele menino. Criar para o Senhor e entregar a Ele o que você tem como mais precioso bem. Quão difícil. Nós, muitas vezes, achamos lindo e inspirador ver os missionários com seus filhos nos campos em situações de risco. No entanto, dizemos: “não quero isso para meus filhos”; até mesmo: “Deus me livre”.

Ana orou por seu filho e devolveu (entregou) ao Senhor, mesmo que tal atitude lhe custasse certa angústia ou aflição, devido à separação e distanciamento. Grande exemplo para todos nós de fidelidade a Deus em seus compromissos com Ele.

Nem todas as histórias (mesmo na Bíblia) terminam com final tão feliz como esta. Mas, mesmo que houvesse final distinto do que se tem registrado, a postura de Ana é estímulo a todos nós e deve ser seguida, pois “esta é a vontade de Deus para conosco em Cristo Jesus” I Ts.5:18). Assim seja. Amém.

Rev. Paulo Audebert Delage

domingo, 19 de agosto de 2018

ANA (4)

ANO LXXVI - Domingo, 19 de agosto de 2018 - Nº 3799

ANA (4)

“Eli a teve por embriagada... até quando estarás embriagada?” (I Samuel 1: 13 e 14)

Continuamos tratando da figura de Ana em sua luta e drama pessoal devido à sua esterilidade, e os aspectos que nos podem ajudar no enfrentamento de lutas parecidas com as dela.

Ana estava colocando diante de Deus a sua aflição e derramando seu coração perante o Senhor. Atitude sábia, adequada e correta. No entanto, sua oração era silenciosa e seus lábios se moviam, porém, não emitiam som algum. O sacerdote Eli pensou que ela estava embriagada e, exercendo juízo temerário e indevido em relação a ela, afirmou estar bêbada.

Como se sentir em tal situação? Alvo de preconceito e discriminação por parte do sacerdote, homem que deveria ser instrumento de Deus para abençoar, socorrer, amparar e consolar? A atitude de Eli é totalmente reprovável, leviana e danosa, mas, nos interessa a reação de Ana. Mesmo sendo alvo de tal atitude preconceituosa, ela não demonstra revolta ou rebeldia, nem sentimento de vitimização (tão comum a tanta gente em situação parecida).

Sua resposta é firme, mas branda. Afasta a suspeita indevida e apresenta a realidade: “Não bebi vinho... venho derramando minha alma perante o Senhor.” (15). Tal postura nos deve inspirar a agirmos de igual modo frente a colocações que nos ferem e magoam. Não devemos nos calar frente a afirmações falsas assacadas contra nós, mas responder com brandura, apresentando a realidade e os fatos, agasalhados sob a verdade de nossa relação com Deus e compromisso de nossa fé.

O Senhor nos abençoe e renove para que, mesmo sob injúrias e acusações falsas, possamos responder com amor aos que nos caluniam, honrando assim o Nome de nosso Senhor e Salvador Jesus Cristo que, mesmo injuriado, não amaldiçoou os que assim faziam. Como Paulo nos ensina: “Quando somos injuriados, bendizemos...” (I Co. 4:12) e também Pedro ao dizer: “Não pagando mal por mal, ou injúria por injúria; antes, pelo contrário, bendizendo...” (I Pe.3:9). Que assim façamos para o louvor da glória do Nome de nosso Deus. Amém.

Rev. Paulo Audebert Delage

domingo, 5 de agosto de 2018

ANA (3)

ANO LXXVI - Domingo, 05 de agosto de 2018 - Nº 3797

ANA (3)

“Com amargura de alma, orou ao Senhor, e chorou abundantemente” (I Sm. 1: 10)

No texto apontado podemos encontrar Ana em momento de profunda angústia e aflição interior. Ela já não vinha comendo (v.8), chorava (v.8) e estava depressiva (v.8). Encontrava-se agora no lugar de adoração e sacrifício em Silo (onde se achava a “Arca da Aliança”), com o propósito de cumprir as determinações de Deus.

Podemos vê-la assumindo a postura correta em relação a seu drama pessoal de esterilidade, ou seja, “com amargura de alma, orou ao Senhor”. Ela colocou (lançou) diante do Senhor todo seu problema, toda sua angústia, toda sua aflição. Deve-se notar que “amargura de alma” aqui não se trata de revolta, mas de aflição, angústia e tristeza por sua condição. Não era apenas uma oração “formal”, mas expressão de sua alma aflita. Precisamos aprender a viver tal forma de relação com Deus. Coração “rasgado” diante DEle, sem véu, formalidade ou subterfúgios; apenas derramamento e, sem receio, “choro abundante”.

No verso 12 vemos que “demorando-se ela no orar perante o Senhor”, aponta outro aspecto de tal relação com Deus, ou seja, investimento de tempo diante do Senhor. Não era algo ao estilo “fast food”, mas envolveu empenho de boa parcela de tempo na presença do Senhor. Há necessidade de resgatarmos esse tipo de postura e empregarmos tempo diante de Deus em oração, pelo menos na mesma proporção que gastamos malhando na academia, “passeando no facebook” ou internet, para não falar em outras atividades não essenciais que nos roubam o tempo precioso de nosso dia e noite.

Ana enfrentava determinado problema complexo e sério. Derramou-se em oração perante o Senhor e Nele esperou. Seja tal exemplo, para nós, motivo de ânimo, a fim de procedermos do modo igual, confiando em Jesus e depositando Nele nossa esperança. Sejam sobre nós a graça e a misericórdia do Senhor Jesus.

Rev. Paulo Audebert Delage

domingo, 29 de julho de 2018

ANA (2)

ANO LXXVI - Domingo, 29 de julho de 2018 - Nº 3796

ANA (2)

“Ana, por que choras? E por que não comes? E por que estás de coração triste?”

O texto transcrito acima se encontra em I Samuel 1: 8 e continua a registrar a situação ligada à vida de Ana (mãe de Samuel) em seu drama pessoal em relação à sua condição de mulher estéril.

Ana desfrutava de certa estrutura de vida estável e tranquila, sendo amada por seu esposo, embora não gerasse filhos. Tudo deveria indicar que ela não poderia se sentir triste ou desafortunada, mas, ao contrário, muito agraciada. No entanto, aspectos emocionais são muito fortes e as pressões nos levam a certo de tipo de postura aparentemente sem sentido ou sem justificativa. Portanto, a tristeza, a frustração e cobrança (por outros e por nós mesmos) nos podem lançar em profundo abismo. Foi o que se deu com Ana. Tristeza, abatimento, depressão. Chorava, não comia e tristeza de coração. Mesmo com a tentativa de seu esposo em ajudá-la, tudo parecia sem sentido.

Muitas vezes sofremos tais períodos em nossa vida. As coisas parecem não dar certo, temos a impressão de que tudo conspira contra nós. As pessoas parecem não entender nosso drama e conflito, nossa angústia e sofrimento, e perguntas como as feitas a Ana soam quais alfinetes em nossa alma, fazendo crescer nosso sentimento de abatimento. Não se tratava de mera “pirraça” de criança por não ter algum objeto fruto de seu desejo mesquinho. Seu drama era real, verdadeiro, profundo.

O texto nos informa que Ana “subia à casa do Senhor” (7) para adoração ao Senhor, mas tal atitude (embora positiva) não era suficiente para resolver sua situação e recompor sua estrutura interior. Por vezes pensamos que tais posturas são suficientes (ir ao templo, participar do culto, etc) para solução de nosso problema, mas não são. Embora sejam boas, positivas e necessárias, precisamos de outro tipo de suporte e apoio, de socorro, ajuda e amparo de caráter ‘profissional’.

Não desista. Deus tem para você a graça da vitória. Busque ajuda, procure socorro e não deixe de olhar para Jesus “autor e consumador de nossa fé” (Hb.12:2), por meio de quem “nós temos a vitória” (I Co.15:57). Bendito seja o Senhor.

Rev. Paulo Audebert Delage

domingo, 22 de julho de 2018

ANA

ANO LXXVI - Domingo, 22 de julho de 2018 - Nº 3795

ANA

“Uma se chamava Ana” (I Samuel 1:2)

Serão apresentados alguns textos de caráter meditativo sobre a pessoa de Ana, mãe do grande sacerdote, profeta e legislador hebreu Samuel. Tais textos não serão de cunho teológico ou doutrinário (embora tais aspectos não sejam desprezados), mas a preponderância é a abordagem de situações relativas à vida de uma pessoa e suas relações consigo, com os outros e com Deus.

Seu nome vem do hebraico e tem significado muito positivo (“Hanna”), ou seja, ‘graça’. Ela era esposa de um homem que a amava profundamente, embora fosse bígamo (possibilidade existente naquele momento e contexto em Israel). Essa posição não a colocava em situação de angústia ou tristeza, pois seu esposo a privilegiava com porções dobradas em relação à outra esposa, e o texto diz o motivo: “porque ele a amava” (1:5). Mas, apesar de amada por seu marido, Ana se via em uma situação de “desana”, ou seja, “desgraça”; não podia gerar filhos, era estéril. Tal fato a angustiava, mesmo quando seu marido lhe afirmava: “Não te sou eu melhor do que dez filhos?” (1:8).

Sofria Ana, por sua condição estéril, a afronta e zombaria da outra esposa, posto que esta se via minorada naquela relação conjugal e o texto registra: “A sua rival a provocava excessivamente para a irritar” (1:6); “a outra a irritava” (1:7).

De fato, sua existência era cercada de contrastes, embora sendo “Graça”, parecia não ter muita “graça”; mesmo que amada, se sentia preterida; ainda que bem tratada e protegida, seu sentimento era de profundo abandono e escassez. Tal estrada a levava ao risco sério e profundo de ansiedade e depressão, pois ela já “chorava e não comia.” (1:7).

Situações ambíguas como estas não são incomuns a muitas pessoas. Conflitos de real profundidade que atingem o ser e a profundeza da alma. Não é fácil o enfrentamento de tal situação. Mas, em lugar de focar e fixar-se naquilo que é negativo, ruim ou mal, procure perceber o bem, o positivo e o bom ao seu redor. Quão grandes são os privilégios e manifestações da graça de Deus à sua volta. Não perca isso de vista. Mesmo que haja nuvens densas, nossos olhos são iluminados constantemente pelo “Sol da Justiça”, Cristo Jesus nosso Senhor, que “sempre nos conduz em triunfo” (2 Co. 2:14). Não é ufania humana; é graça de Deus. Aleluia.

Rev. Paulo Audebert Delage

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ARQUIVO DE ARTIGOS E PUBLICAÇÕES DA IPVM

Este arquivo contém parte da memória da IGREJA PRESBITERIANA DE VILA MARIANA publicada ao longo de vários anos em capas de boletins, encartes e outros meios, aos poucos resgatados e acessível a todos através deste blog.

SUGESTÕES DO CANTINHO CULTURAL

  • LIVRO: GOTAS DE AMOR PARA A ALMA. AUTOR: Rev. Hernandes D. Lopes. ASSUNTO: mensagens diárias para edificar sua vida, consolar-lhe o coração, fortalecer-lhe a fé. Não são textos de autoajuda, mas falam do auxílio divino.
  • LIVRO: TOQUE O MUNDO POR MEIO DA ORAÇÃO. AUTOR: Wesley L. Duewel. EDITORA: Hagnos. ASSUNTO: este livro sugere planos passo a passo para elaborar listas de oração, organizar círculos de oração e retiros de oração para os cristãos que tem a incumbência de orar pela salvação e bênçãos das pessoas.
  • LIVRO: TODO FILHO PRECISA DE UMA MÃE QUE ORA. AUTORES: Janet K. Grant e Fem Nichols. EDITORA: Hagnos. ASSUNTO: Uma mãe que ora pode ter um impacto tremendo na vida de seus filhos, este livro mostra como envolver e apoiar sua família através da oração persistente e eficaz. Você aprenderá a perseverar em oração e a usar a Bíblia para guiá-la nesta tarefa.